Na jornada para soltar a voz, precisei aprender a ficar só

Uma menina “gasguita*”, caçula de oito filhos, considerada “temporã”. Essa fui eu por muitos anos. Fiz jornalismo por pura teimosia e acreditava que só ficaria mesmo nos bastidores, que nunca teria coragem de ir para a frente de um microfone, assumir uma bancada na TV, expressar uma opinião em público.

Mas a vida é cheia de surpresas e cada um segue sua própria jornada. A minha começou em casa mesmo… Com 7 irmãos (2 homens e 4 mulheres), precisava me defender, quase sempre aos gritos e quase sempre caía no choro. Terminava levando bronca: “para de gritar, menina! Você é uma gasguita, hein?”

Aí, você vai crescendo e ganhando a certeza que é gasguita… melhor ficar quietinha e não brigar com ninguém, afinal, você chora, caçulinha, tão fraquinha…

Um dia, resolve fazer jornalismo. Tímida, coitada. Ainda cresceu com uma baixa autoestima, aqueles cabelos encaracolados demais, que ninguém sabia pentear e a mãe teimava em alisar, os óculos fundo de garrafa, dentes um tanto desalinhados, fracos, mil visitas anuais ao dentista não resolviam.

Com 15 anos, descobre o primeiro momento: ganha lentes de contato, um corte de cabelos para assumir o cacheado e dá o primeiro beijo. Parece que as coisas estão começando a melhorar…

Logo ali em frente, aos 16, conhece o amor de sua vida. O cara com quem vai passar os próximos 42 anos. Incrível, né? Tão novinha…

Vai estudar Comunicação na Universidade de Brasília, meio medrosa, afinal, era “a cova dos leões”, como dizia a própria mãe. Escolhe Jornalismo, mas entende que vai ficar sempre nos bastidores. Começa a trabalhar aos 18 anos, mesmo que não seja na área. Se forma aos 21 anos e, em seguida, vai trabalhar em rádio.

Claro que só quer fazer produção, redigir (tem um pouquinho do dom familiar para a escrita), ficar ali escondidinha na redação. Mas as locutoras (duas mulheres) da rádio decidem que a gasguita pode ir para o microfone. Ganha o impulso que faltava do diretor da rádio. “Eu? Imagina… minha voz é horrível, eu grito, tenho alergia, uma voz anasalada”…

Começam os treinamentos, as dicas para melhorar a voz e ganhar confiança. Ganhar confiança. Primeiro passo na jornada do autoconhecimento estava sendo dado. “Entenda que esse é um papel na sua vida, se coloca nele, veste uma roupa de locutora”, disseram. Ela vestiu.

Um dia, a locutora oficial falta. Cadê a gasguita? Coloca ela no microfone. Frio na barriga, liga pra família, pede para sintonizarem na 109,9 FM de Brasília. A mãe ouve a voz e não acredita: “não é ela não, tadinha… a voz dela é feia demais pra ser essa aí”. E era. A gasguita soltou a voz pela primeira vez.

Daí em diante, foi ganhando a tal autoconfiança. Podia não só ser locutora, como entrevistadora, apresentadora do jornal diário. Opa! Começamos uma jornada interessante aqui, com apenas 22 anos.

Foi ser mãe cedo, para realizar o próprio sonho. Foi lindo, a primeira filha chegou aos 23, a segunda, aos 26 anos. Descobriu que poderia ter vários papéis no mundo. Aquela que também acreditava que não podia cantar, tinha que cantar canções de ninar e foi soltando a voz (literalmente) e construindo um novo papel no meio de tantos outros.

A jornada foi linda em muitos momentos e desafiadora em outros tantos. Equilibrar os papéis de mãe, profissional, esposa, dona de casa… a vida adulta é mesmo um eterno aprendizado e um recomeçar infinito…

Casada há 5 anos, foi morar no Nordeste. Um ensinamento incrível em João Pessoa, mas também um momento de recolhimento, uma depressão não diagnosticada, um tantinho de angústia por só exercer o papel de mãe e esposa. Sentia saudade de ser profissional.

De volta a Brasília, a luta para se recolocar no mercado. Vai fazer assessoria de imprensa, mas sonha com produção de TV. Chega a hora, vai para TV. Novos papéis, novos aprendizados. A oportunidade de ir para a frente das telas. “Eu? Imagina! Sou locutora, mas não fico bem em frente às câmeras, não sou fotogênica”. Lá vamos nós para a bancada da TV. Mais um papel, mais uma realização. Mais uma oportunidade de soltar a voz e se colocar no mundo. Poucos meses ali, uma nova mudança, que a obriga a voltar para a função de mãe e dona de casa. Agora, no Recife.

A voz se recolhe um pouco, o momento pede pausa. Cerca de dois anos depois, de volta à TV. Uma primeira experiência em produção, que não deu muito certo. Uma segunda experiência como apresentadora novamente. Bora soltar essa voz e mostrar que dá para fazer apresentação de um telejornal. Seis meses depois, um casamento ameaçado pela falta de tempo, de fins de semana livres, por uma rotina repleta de dias cheios de trabalho… Vamos fazer uma troca? Vai para apresentação de um programa de entrevistas. Agora, sim, soltar a voz.

Durante 3 anos, ganha autoconfiança, entrevistando profissionais de saúde, emitindo opinião, produzindo o próprio roteiro, mas ainda dependente financeiramente, sem muito poder de fala. Incrível como a voz pede autonomia, independência… Pelo menos no meu caso, o que não significa que seja assim para todo mundo.

A família em Brasília passa por problemas de saúde e precisa voltar. Chega mais madura, mais autoconfiante, trazendo uma agência de comunicação para a capital, marca consolidada, com histórico em SP e muita mulher na liderança. Começa uma nova jornada, um novo aprendizado. Volta com 38 anos, com uma nova bagagem e muita vontade de crescer.

A jornada mais interessante estava apenas começando, muitas viagens para São Paulo, debates com profissionais (mulheres, em sua maioria) altamente qualificadas, um MBA prático, da vida real. Com a idade, as coisas vão melhorando ainda mais. Tem certeza de que pode soltar a voz, que não é mais a gasguita, apesar de ainda chorar com frequência.

Enfrenta as dificuldades de empreender, vive momentos de muita ansiedade e quase pânico, mas também de muito aprendizado, como naquele dia com a sala repleta de homens poderosos. Um deles, o chefe, tinha acabado de humilhar uma jornalista da equipe e isso não poderia ficar assim. Descobre que pode, sim, soltar a voz, mas sem gritar, sem tremer, sem titubear. Com estratégia, com conhecimento, com firmeza e com números, dados (KPIs, no marquetês).

Descobriu que mesmo os clientes mais poderosos não a dobrariam tão fácil. Vieram muitos desafios: crises, desafios internos, clientes difíceis, compra da agência, desafios financeiros.

Mas algo que não parou de aprender foi o poder da sua voz, do seu posicionamento, da fala assertiva e da comunicação bem feita. Falhou algumas vezes? Claro que sim. Muitas vezes, eu diria. Mas acertou também.

Depois dos 40, foi se descobrindo cada vez mais no papel de mulher autônoma, consciente do próprio valor. Com as filhas crescendo, o ninho foi ficando vazio e o papel de mãe vai se transformando. Deixa de ter tanta importância e você vai assumindo os outros papéis na própria vida.

Chega o momento do ninho vazio, de não saber o que fazer com aquela liberdade de não ter que cuidar de ninguém. O casamento se transforma neste tempo. Momentos incrivelmente bons com momentos incrivelmente solitários. A solidão a dois pode ser dolorida…

Chegam os 50, 55… e a solidão aumenta. Já teve um dia a certeza de que não saberia viver só, mas começa a aprender, porque a vida vai ensinando. Manteve as amizades femininas, uma verdadeira tábua de salvação: descobre que nunca esteve só. Tinha amigas e quatro irmãs. Quem precisa de mais? Mulheres se sustentam nos bons e maus momentos.

Ganha autonomia financeira e a certeza de que o casamento só se sustenta quando os dois são livres e só têm entre eles o amor como liga. Mas, não contava com as crises. E elas vieram. O “sonho dourado de princesa casada para sempre” vai se desmoronando… a solidão aumenta até o ponto de entrarem em um acordo: não sendo mais possível refazer a conexão perdida, o mais sábio é se separar. Sem mágoas, sem gritos, sem rancor.

Vem a dúvida: saberá viver só? A gasguita, a que chora, a que não sabe lidar com finanças. Saberá se virar?

No primeiro dia em que fica absolutamente só (com os dois cachorros, mas só), entende que é possível. Que tem uma nova Regina surgindo aí.

Lembra que um dia, em uma crise, chegou a falar em voz alta: “saiba que a antiga Regina morreu. Esqueça a bobinha, a chorona e a que faz tudo pelos outros. Daqui em diante, surge uma nova mulher”.

“E se eu não gostar desta nova versão?”, ele pergunta. “Não é problema meu, é?”, ela solta a voz.

A solidão não ocupa o espaço de quem está de bem consigo mesma. Não tem solidão quando a gente sabe ocupar o próprio espaço. Sim, tem dor e saudade em alguns momentos. Saudade de uma vida que foi feliz. De um lar que foi completo.

Mais de 40 anos de história não acabam de um dia para o outro. Acabam devagar, com consciência, com amadurecimento, com terapia (claro!) e com a ajuda de outras mulheres: as próprias filhas, as irmãs, as amigas que não soltam a sua mão.

A história vivida até aqui foi linda, mas aos 60 anos, sinto que ainda há muito a ser vivido.

Essa foi a minha estrada. Não precisa ser a sua. Nem toda mulher vai precisar ficar só para soltar a própria voz. Cada mulher só precisa aprender a construir a própria jornada.

A minha jornada ainda está começando.Mas promete ser uma aventura intensa e prazerosa. Vamos juntas?

Solta a Voz, mulher!

*gasguita é um adjetivo normalmente usado para quem fala gritando, com voz alta, esganiçada, aplicado também a crianças choronas ou barulhentas e a pessoas falantes que elevam demais o tom de voz.

Carta para a Regina de 15 anos

Menina do céu, a gente entrou nos 60!

E, sabe, eu fecho os olhos hoje e penso na Regina de 15 anos. E sei que, aos 15, você não pensava em como seria aos 60, mas, olha, você tá aqui, oficialmente idosa…

Preciso te contar: você se superou muitas vezes. Você cresceu, amadureceu, casou, teve filhas, tem uma neta e um netinho a caminho, tem muita saudade acumulada ao longo da vida, claro…

Trabalhou muito! Ganhou pouco dinheiro, é verdade, mas sempre trabalhou em coisas que você gostou de fazer, se realizou fazendo, mesmo quando as coisas estavam difíceis. Mas quer saber? A Regina de 60 está cheia de novos planos, acredita?!

Você amou muito, também foi muito amada, eu sei. Viveu um amor lindo, que durou bastante tempo! Você tem muitas amigas, muitas delas ainda desde os 15, algumas até antes. Você manteve muitas amizades do ensino médio, algumas do ensino fundamental (aquele que chamávamos de primeiro grau)

E, olha, você chegou aos 60, mas você ainda pensa como uma menina de 20 ou como uma mulher de 30. Ou ainda uma de 40. Todas elas estão aqui dentro de você. Já ouvi muitas pessoas dizerem que se sentem assim também . Acho que é assim que cultivamos a juventude dentro de nós.

Todas essas Reginas estão aqui. A Regina de 15, de 20, de 30, de 40, de 50. Estão todas aqui dentro dessa de 60. Se me encontrasse com a Regina de 15 agora, diria que me cuidei como pude, me descuidei um pouco também, fiz o que deu!…

Preciso contar que você ainda tem muita rede de apoio, tem muita rede de apoio. Suas filhas, suas irmãs, seus irmãos, suas muitas amigas antigas e as novas, essas que você foi fazendo ao longo da vida também. Todas essas pessoas ajudaram a construir o que você é hoje.

Sabe quando a gente é adolescente e que a gente pensa que as amigas são tudo no mundo? Elas são mesmo. Quanto mais, melhor. E você conseguiu manter várias. Construiu amizades sólidas, profundas. São salvadoras, as amizades.

E a gente está aqui. Talvez você não imaginasse que nesse momento, chegando aos 60 anos, sua vida fosse mudar tanto, mulher. Começar de novo. Mais uma vez, mas agora, bem diferente…

Pois é, às vésperas de se tornar SEXagenária, você vai morar sozinha, com seus cachorros. Fim de um sonho? Saiba que foi bom e não tente mudar nada do que aconteceu… vivemos momentos incrivelmente lindos e importantes. Agora, é mais um ciclo que começa…

Essa virada de vida veio sem planejamento, sabe? Mas veio em um momento maduro, uma decisão conjunta, sabe? Ainda assim, é uma barra! Mas você está segurando a barra. E está se superando de novo.

Olha que legal. Aos 60 anos, Regina… você conseguir ainda se superar. Fique orgulhosa de você.

Se eu pudesse dizer algo para a menina de 15, eu diria: nós estamos bem. Nós conseguimos. E nós ainda vamos mais longe.

A gente, claro, não pode prever o que acontece. Mas se der, essa Regina aqui quer viver 100 anos… Acredito que a Regina de 15, a Regina de 20. A de 25, a de 35, a de 40, 45, 50, 55. Todas essas Regina estão aqui dentro e querem viver muito ainda!!!

Então, vamos nessa! Que a gente tem muita coisa pela frente. Eu tenho certeza que a gente ainda tem muitos desafios aí. Pra superar. Vamos juntas.

Ah! A imagem que ilustra este post foi feita com Inteligência Artificial. Isso aí é uma loucura, que nem podíamos imaginar aos 15… Legal, né?!

É isso! Bora viver esta maturidade, com energia e disposição!

Reflexões de uma venda de garagem: despedidas e recomeços

Dizem que vender as coisas antigas serve para reciclar a energia, renovar os ares, deixar a vida mais leve. Nos últimos dias, vivenciei uma venda de garagem (ou, em palavras mais chiques, um garage sale), que nada mais é do que vender partes da sua própria história em busca de começar uma nova…

É quase um jogo de azar, em que você arrisca tudo e não sabe muito bem o que te espera. No fim, entra um dinheiro na conta, claro, mas fica aquela sensação de vazio no coração. Muitos motivos nos levaram a realizar a venda. O término de uma relação de mais de 40 anos (entre namoro e casamento) é apenas um deles.

Agora que a adrenalina baixou e estou numa sala vazia, enquanto a casa segue cheia de bagunça, caixas, roupas e sentimentos fora do lugar, resta o medo. O medo do novo, do novo ciclo, da nova vida — ainda que misturado à curiosidade pelo que vem por aí.

Vendemos de tudo por aqui: de botijão de gás vazio a celulares antigos, sofás e enfeites de Natal, roupas, panelas e eletrodomésticos. No meio de tudo isso, a gente vai entendendo que as perdas são parte da vida.

De tudo que foi embora hoje, duas vendas me fizeram cair num choro abafado: a do piano, especialmente quando o comprador começou a tocar aquele instrumento antigo, quase da minha idade, mas que ainda encheu a casa com a música e as lembranças.

O piano veio parar nesta casa meio que por acaso, mas fez parte da minha vida desde a infância. Nunca passei do dó-ré-mi-fá, mas ele esteve em todas as casas em que vivi na infância e adolescência.

Quando ele (o piano) se foi, tive a sensação de sair novamente da casa dos meus pais. Foi mais uma despedida da infância, da adolescência, da presença física deles. Desabei.

A outra venda que me arrancou lágrimas foi a da “boia de flamingo” da Elisa. Isso porque nosso amigo flamingo nos arrancou muitas gargalhadas gostosas nos banhos de piscina e nas brincadeiras.

Claro que sei que ainda teremos muitas outras (incontáveis) brincadeiras e motivos para gargalhar. Mas o simbolismo da casa, das nossas reuniões, dos churrascos em família, do flamingo na piscina… E eu me acabando de chorar mais uma vez…

O fim de um ciclo traz consigo o luto. É dureza lidar com as perdas. Lógico que o novo pode (e deve) trazer coisas boas. Tenho certeza de que ainda virão muitas músicas, gargalhadas e histórias para contar.

Despedidas sempre foram difíceis para mim e, desta vez, não seria diferente. Afinal, despeço-me do sonho do “felizes para sempre” e do “até que a morte nos separe”. Despeço-me do casal perfeito. Por mais pacífica e madura que tenha sido essa decisão conjunta, é impossível não despedaçar por dentro e não revirar milhares de sentimentos, expectativas, desejos e sonhos.

Não acabou ainda. Daqui em diante, há muita coisa a fazer. O pior talvez nem tenha passado… há as arrumações, as mudanças, o abre e fecha de caixas, a despedida em breve de um lugar que nos abraçou e acolheu nossa família.

Um lugar que viu a família se multiplicar. Casamentos aconteceram aqui, aniversários, festas de fim de ano, Natais, churrascos e confraternizações. Um lugar que também presenciou momentos de dor, quando tivemos que nos despedir da minha mãe, do João e da Dona Wanda. Um lugar que viu dois dos nossos cachorrinhos irem embora (Zeus e Pipoca), mas que também viu outros nascerem: o Otávio, o Jorge e o Luca.

Um lugar que recebeu nossa Elisa assim que ela nasceu, onde ela brinca livremente pelo jardim, inventando mil histórias e aventuras. Um lugar que testemunhou a chegada de uma nova vidinha para nos alegrar: nosso netinho Paulo. Um lugar que, definitivamente, mereceu o nome de lar.

Agora, é preciso pensar que temos muita vida para viver e novos lares para construir – somos bons nisso, afinal. E somos uma família, para sempre.

Vai ser diferente, vai dar medo, mas também será uma oportunidade de conhecer uma nova Regina. Alguém que nem sei direito ainda quem é, mas tenho certeza que é uma mulher mais madura, mais cheia de histórias, mais confiante, mais resolutiva e, talvez, mais exigente também. Foram tantos aprendizados recentes que estou processando.

Vai, Regina! Vai se descobrir. Vai com medo mesmo. Vai com confiança. Você tem muita vida pra viver.

P.S. Há muitos dias tenho pensado em como tenho sido forte, sem chorar, sem retroceder, sem olhar pra trás. Apenas querendo resolver os problemas e lidar com as situações, de forma firme e segura, mesmo sendo a maior chorona que conheço. Mas eu sabia que chegaria este momento de desabafo (e talvez venham muitos outros, já aviso). Escrever sempre me ajuda. Outro dia li um artigo de uma jornalista em que ela dizia: “Escrevo, porque é a única coisa que sei fazer.”  É isso: escrevo porque alivia. Escrevo porque assim consigo me expressar. Escrevo, porque quando termino, fico mais leve. Então, escrevo.

Até já!