Carta para a Regina de 15 anos

Menina do céu, a gente entrou nos 60!

E, sabe, eu fecho os olhos hoje e penso na Regina de 15 anos. E sei que, aos 15, você não pensava em como seria aos 60, mas, olha, você tá aqui, oficialmente idosa…

Preciso te contar: você se superou muitas vezes. Você cresceu, amadureceu, casou, teve filhas, tem uma neta e um netinho a caminho, tem muita saudade acumulada ao longo da vida, claro…

Trabalhou muito! Ganhou pouco dinheiro, é verdade, mas sempre trabalhou em coisas que você gostou de fazer, se realizou fazendo, mesmo quando as coisas estavam difíceis. Mas quer saber? A Regina de 60 está cheia de novos planos, acredita?!

Você amou muito, também foi muito amada, eu sei. Viveu um amor lindo, que durou bastante tempo! Você tem muitas amigas, muitas delas ainda desde os 15, algumas até antes. Você manteve muitas amizades do ensino médio, algumas do ensino fundamental (aquele que chamávamos de primeiro grau)

E, olha, você chegou aos 60, mas você ainda pensa como uma menina de 20 ou como uma mulher de 30. Ou ainda uma de 40. Todas elas estão aqui dentro de você. Já ouvi muitas pessoas dizerem que se sentem assim também . Acho que é assim que cultivamos a juventude dentro de nós.

Todas essas Reginas estão aqui. A Regina de 15, de 20, de 30, de 40, de 50. Estão todas aqui dentro dessa de 60. Se me encontrasse com a Regina de 15 agora, diria que me cuidei como pude, me descuidei um pouco também, fiz o que deu!…

Preciso contar que você ainda tem muita rede de apoio, tem muita rede de apoio. Suas filhas, suas irmãs, seus irmãos, suas muitas amigas antigas e as novas, essas que você foi fazendo ao longo da vida também. Todas essas pessoas ajudaram a construir o que você é hoje.

Sabe quando a gente é adolescente e que a gente pensa que as amigas são tudo no mundo? Elas são mesmo. Quanto mais, melhor. E você conseguiu manter várias. Construiu amizades sólidas, profundas. São salvadoras, as amizades.

E a gente está aqui. Talvez você não imaginasse que nesse momento, chegando aos 60 anos, sua vida fosse mudar tanto, mulher. Começar de novo. Mais uma vez, mas agora, bem diferente…

Pois é, às vésperas de se tornar SEXagenária, você vai morar sozinha, com seus cachorros. Fim de um sonho? Saiba que foi bom e não tente mudar nada do que aconteceu… vivemos momentos incrivelmente lindos e importantes. Agora, é mais um ciclo que começa…

Essa virada de vida veio sem planejamento, sabe? Mas veio em um momento maduro, uma decisão conjunta, sabe? Ainda assim, é uma barra! Mas você está segurando a barra. E está se superando de novo.

Olha que legal. Aos 60 anos, Regina… você conseguir ainda se superar. Fique orgulhosa de você.

Se eu pudesse dizer algo para a menina de 15, eu diria: nós estamos bem. Nós conseguimos. E nós ainda vamos mais longe.

A gente, claro, não pode prever o que acontece. Mas se der, essa Regina aqui quer viver 100 anos… Acredito que a Regina de 15, a Regina de 20. A de 25, a de 35, a de 40, 45, 50, 55. Todas essas Regina estão aqui dentro e querem viver muito ainda!!!

Então, vamos nessa! Que a gente tem muita coisa pela frente. Eu tenho certeza que a gente ainda tem muitos desafios aí. Pra superar. Vamos juntas.

Ah! A imagem que ilustra este post foi feita com Inteligência Artificial. Isso aí é uma loucura, que nem podíamos imaginar aos 15… Legal, né?!

É isso! Bora viver esta maturidade, com energia e disposição!

Reflexões de uma venda de garagem: despedidas e recomeços

Dizem que vender as coisas antigas serve para reciclar a energia, renovar os ares, deixar a vida mais leve. Nos últimos dias, vivenciei uma venda de garagem (ou, em palavras mais chiques, um garage sale), que nada mais é do que vender partes da sua própria história em busca de começar uma nova…

É quase um jogo de azar, em que você arrisca tudo e não sabe muito bem o que te espera. No fim, entra um dinheiro na conta, claro, mas fica aquela sensação de vazio no coração. Muitos motivos nos levaram a realizar a venda. O término de uma relação de mais de 40 anos (entre namoro e casamento) é apenas um deles.

Agora que a adrenalina baixou e estou numa sala vazia, enquanto a casa segue cheia de bagunça, caixas, roupas e sentimentos fora do lugar, resta o medo. O medo do novo, do novo ciclo, da nova vida — ainda que misturado à curiosidade pelo que vem por aí.

Vendemos de tudo por aqui: de botijão de gás vazio a celulares antigos, sofás e enfeites de Natal, roupas, panelas e eletrodomésticos. No meio de tudo isso, a gente vai entendendo que as perdas são parte da vida.

De tudo que foi embora hoje, duas vendas me fizeram cair num choro abafado: a do piano, especialmente quando o comprador começou a tocar aquele instrumento antigo, quase da minha idade, mas que ainda encheu a casa com a música e as lembranças.

O piano veio parar nesta casa meio que por acaso, mas fez parte da minha vida desde a infância. Nunca passei do dó-ré-mi-fá, mas ele esteve em todas as casas em que vivi na infância e adolescência.

Quando ele (o piano) se foi, tive a sensação de sair novamente da casa dos meus pais. Foi mais uma despedida da infância, da adolescência, da presença física deles. Desabei.

A outra venda que me arrancou lágrimas foi a da “boia de flamingo” da Elisa. Isso porque nosso amigo flamingo nos arrancou muitas gargalhadas gostosas nos banhos de piscina e nas brincadeiras.

Claro que sei que ainda teremos muitas outras (incontáveis) brincadeiras e motivos para gargalhar. Mas o simbolismo da casa, das nossas reuniões, dos churrascos em família, do flamingo na piscina… E eu me acabando de chorar mais uma vez…

O fim de um ciclo traz consigo o luto. É dureza lidar com as perdas. Lógico que o novo pode (e deve) trazer coisas boas. Tenho certeza de que ainda virão muitas músicas, gargalhadas e histórias para contar.

Despedidas sempre foram difíceis para mim e, desta vez, não seria diferente. Afinal, despeço-me do sonho do “felizes para sempre” e do “até que a morte nos separe”. Despeço-me do casal perfeito. Por mais pacífica e madura que tenha sido essa decisão conjunta, é impossível não despedaçar por dentro e não revirar milhares de sentimentos, expectativas, desejos e sonhos.

Não acabou ainda. Daqui em diante, há muita coisa a fazer. O pior talvez nem tenha passado… há as arrumações, as mudanças, o abre e fecha de caixas, a despedida em breve de um lugar que nos abraçou e acolheu nossa família.

Um lugar que viu a família se multiplicar. Casamentos aconteceram aqui, aniversários, festas de fim de ano, Natais, churrascos e confraternizações. Um lugar que também presenciou momentos de dor, quando tivemos que nos despedir da minha mãe, do João e da Dona Wanda. Um lugar que viu dois dos nossos cachorrinhos irem embora (Zeus e Pipoca), mas que também viu outros nascerem: o Otávio, o Jorge e o Luca.

Um lugar que recebeu nossa Elisa assim que ela nasceu, onde ela brinca livremente pelo jardim, inventando mil histórias e aventuras. Um lugar que testemunhou a chegada de uma nova vidinha para nos alegrar: nosso netinho Paulo. Um lugar que, definitivamente, mereceu o nome de lar.

Agora, é preciso pensar que temos muita vida para viver e novos lares para construir – somos bons nisso, afinal. E somos uma família, para sempre.

Vai ser diferente, vai dar medo, mas também será uma oportunidade de conhecer uma nova Regina. Alguém que nem sei direito ainda quem é, mas tenho certeza que é uma mulher mais madura, mais cheia de histórias, mais confiante, mais resolutiva e, talvez, mais exigente também. Foram tantos aprendizados recentes que estou processando.

Vai, Regina! Vai se descobrir. Vai com medo mesmo. Vai com confiança. Você tem muita vida pra viver.

P.S. Há muitos dias tenho pensado em como tenho sido forte, sem chorar, sem retroceder, sem olhar pra trás. Apenas querendo resolver os problemas e lidar com as situações, de forma firme e segura, mesmo sendo a maior chorona que conheço. Mas eu sabia que chegaria este momento de desabafo (e talvez venham muitos outros, já aviso). Escrever sempre me ajuda. Outro dia li um artigo de uma jornalista em que ela dizia: “Escrevo, porque é a única coisa que sei fazer.”  É isso: escrevo porque alivia. Escrevo porque assim consigo me expressar. Escrevo, porque quando termino, fico mais leve. Então, escrevo.

Até já!

Completo 59 anos e começo minha jornada rumo aos 60…

Mais um ano e serei oficialmente idosa! Serei agora então uma “pré-idosa”?

Falar isso em voz alta é complicado, né? Uma mulher com quase 60 anos no Brasil anunciar em alto e bom som a própria idade soa quase como “confessar um pecado”. O etarismo ecoa por todos os cantos, e seguimos enfrentando inúmeros preconceitos contra as mulheres: a menopausa, o envelhecimento, o corpo — se está acima do peso, se está abaixo, se tem muitas rugas, se tem marcas, se tem barriga, se precisa de botox ou de procedimentos estéticos. Pintar o cabelo ou assumir os grisalhos? São tantos pré-conceitos para tratar do envelhecimento feminino…

Aqui dentro, procuro me lembrar todos os dias: envelhecer é um privilégio. Mas dizer que é fácil e/ou glamuroso? Não, não é. É quase corajoso anunciar a idade. Uma incoerência em pleno 2024, quando os estudos apontam para um crescimento no número de pessoas idosas e uma redução da natalidade em praticamente todo o mundo.

E não é só enfrentar o preconceito, é também enfrentar alguns desafios, sim! Se eu, que reconheço os privilégios que tenho, enfrento alguns perrengues por conta do envelhecimento (sim, a menopausa traz muitos incômodos físicos e emocionais que ninguém te conta direito), me pego imaginando as mulheres que não têm acesso à saúde, medicamentos ou procedimentos. A menopausa não é “mimimi”; é difícil de encarar. No Brasil, então…

Por conta disso, sempre achamos normal a mulher (sempre a mulher) “mentir” a idade. Quantas de nós assume – de verdade – a idade que tem? Tive uma professora diferente: minha mãe fazia questão de comemorar “com pompa e circunstância” cada década: 60, 70, 80, 90… Queria ter chegado aos 100, mas nos deixou aos 94. Ainda assim, que privilégio ser de uma família de mulheres longevas! Tanto do lado da minha mãe quanto do meu pai, as mulheres ultrapassam com facilidade os 80 e 90 anos — algumas chegam muito próximas dos 100.

Enquanto isso, a vida até os 59 passa em um piscar de olhos. Clichê? Claro que sim! Mas é verdade: um dia, você tem 40 e acha que já está ficando “velha”. No outro, está prestes a fazer 59, depois 60, e percebe que é só uma “jovem amadurecida”. Claro que você precisa encarar aquela senhora no espelho — como escrevi neste blog há alguns anos.

Definitivamente, não tenho o direito de reclamar da jornada até aqui. Houve percalços, desafios, momentos de tristeza e de perdas, mas não é disso que a vida é feita?

Construí uma carreira, trabalhei em lugares incríveis, casei-me com o meu melhor amigo — e seguimos mantendo o amor e a amizade até hoje. Tive duas filhas maravilhosas, uma neta linda e genros que adoro.

Não é sobre ter uma vida perfeita, como aquele comercial de margarina. Essa existe só nas redes sociais, não tenham dúvidas. É sobre entender que vamos lidando com as pedras no caminho e construindo novos rumos, mesmo quando precisamos fazer viradas bruscas ou escolhas difíceis.

Gratidão é outro clichê? Pois, sinceramente, agradeço por tudo que aprendi até agora e espero continuar aprendendo pelos próximos 40 anos. Sim, acredito que são mais 40 anos pela frente! É o mínimo que posso esperar, considerando a longevidade da família. Sou otimista e acredito que posso chegar lá como algumas dessas mulheres do Instagram — lúcida, independente e com vida ativa aos 80 e 90. Me refiro a alguns ícones, como Fernanda Montenegro, Jane Fonda, Nathalia Timberg, sabe? Claro que elas enfrentam perrengues também, mas seguem dignas e inspiradoras, altivas e lúcidas. É o que almejo.

Enquanto isso, sigo tentando fazer minha parte: atividade física (adoro e faço o possível para manter a regularidade, mas sei que há espaço para melhorar em 2025 – minha personal sabe disso!), uma alimentação “quase” balanceada (Não comentem com a nutri, mas amo comer!), cuidando com muito amor das minhas relações pessoais, buscando aprendizados diários, tomando meu vinho (com parcimônia – quase sempre – e muita felicidade – sempre!), e, claro, fazendo terapia, como todo mundo (quase) normal…

Além disso, tenho como meta manter acesa “a chama do amor que nos anima” — como meu pai nos ensinou — tanto no casamento com Magno como na relação com minhas filhas, genros e minha netinha linda. Tomara que dê certo daqui pra frente como tem dado até agora.

Então, vamos a ele: a mais um ano, mais desafios, aprendizagens, reflexões, encontros e desencontros, momentos felizes e outros nem tanto. A roda da vida continua a girar e, ao fim e ao cabo, é o que importa.

Olá, 59, estou de braços abertos para te receber!!!

Vumbora seguir na busca de viver melhor? Afinal, a vida tem que valer!

Cartas para Elisa 6 (e também para a Regina de amanhã)

Oi, Bebelezinha da vovó! Sento-me para escrever essa carta na véspera do meu aniversário de 58 anos. Pois é, hoje é o dia que você completa 1 ano e 1 mês – 25/12/2023. Amanhã, 26/12, faço 58. Escrevo pra você e escrevo pra mim também. Colocar as palavras pra fora da cabeça (rs) me ajuda a organizar as ideias, a desabafar, a pensar melhor…

Amanhã é meu aniversário e eu posso dizer que me orgulho de tudo que vivi até aqui. Não que a vida esteja sendo fácil. Muito pelo contrário, ela anda complicada, confusa, com muitos desafios, muitos recomeços, muitos percalços. Muitos dias em que preciso dizer a mim mesma para não desistir. Porém, muitas coisas para agradecer neste caminho. Muito mais para agradecer, eu diria.

Na véspera desses 58 anos, estou com saúde. Eu e seu avô. Os dois com saúde, energia e disposição. Nem tanta energia todo dia, nem toda a disposição do mundo, você sabe, né?… Tem dias que a gente cansa. Mas tem saúde por aqui! Muita! E tem muito amor. Como sempre digo, também temos sempre “amor pra recomeçar”… Então, vamos nessa…

Estamos caminhando em direção à nossa velhice, não dá pra negar. Caminhando? Sim, porque não me sinto nadica velha hoje. Não fosse esse tal calendário, essa forma de “contar a vida”, onde os dias, meses e anos vão se sobrepondo e as pessoas vão dizendo que somos crianças, jovens, adultos, idosos, onde nos colocam rótulos e coisas assim, eu diria que ainda tenho quase tudo que tinha da Regina de 20 ou de 30 anos atrás. Um pouco menos de brilho nos olhos? Um pouco mais de rugas e dúvidas? Um tantão mais de saudade no peito? É lógico que sim!

Tem, obviamente, as mudanças físicas, que são difíceis e até esquisitas… Tem dias que eu penso que estou jovem, que tenho “todo o tempo do mundo”. Tem dias que me olho no espelho e vejo uma senhora exausta, com muitas marcas do tempo… Tem dias que me sinto corajosa, tem dias que sou covarde… Tem dias que dá aquela vontade de bater no peito e lembrar de uma trajetória linda até aqui. Mas tem dias, nossa, tem dias que dá vontade de ficar quietinha, como se não houvesse problemas para serem resolvidos, como se não houvesse tanta coisa a fazer…

Hoje, aqui nesse finzinho de dia silencioso, ouvindo as cigarras cantando lá fora no quintal, ouvindo o ressonar do Aquiles aqui do meu lado, “ouvindo” as lembranças da nossa festa de Natal ontem mesmo nesta casa, as risadas e musiquinhas de hoje com você brincando, me sinto pronta para os 58, 59, 70, 75, 80, 85… E para todos os anos que eu puder viver com saúde.

Hoje, abri a janela da sala, olhei o céu azul de Brasília e pensei no privilégio da vida. Principalmente da minha vida, da nossa vida. Temos tanto amor, se temos um lugar quentinho pra morar, uma comida gostosa na mesa e um monte de gente pra amar.

Você e seus pais, Elisa, estavam dormindo aqui em casa. Assim como sua madrinha Gabi e seu tio Caio. Claro que seu avô também estava aqui. Agradeci a Deus, como faço sempre e pensei em como tem sido lindo chegar neste momento, em como a nossa casa tem sido um lugar de encontros felizes, de festas familiares, de como temos tanta gente para amar e curtir, ainda que tenhamos passado por perdas tão dolorosas.

Nem todos os dias são incríveis, nem todos os desafios são fáceis de vencer, nem toda hora a gente acha que “tá tudo bem”… Mas, entrando em um novo ciclo, preciso dizer que estou dando o meu melhor. Nem sempre dou conta de tudo. Estou fazendo o possível, ainda que erre para caramba no caminho e tente aprender com esses erros, mas às vezes, a gente erra de novo. E é assim…

Uma vida real, de erros, acertos, tropeços, conquistas, vitórias, fracassos… Uma vida em que a gente cai, mas “levanta pra cair de novo”, como diria sua bisavó Coeli. Uma vida de muitas, mas muitas mesmo, coisas boas. Uma vida pra agradecer.

E lá vamos nós para mais 365 dias de pura aventura! Que venham os 58!

Cartas para Elisa – 4 (atrasada)

(Descobri uma carta escrita e não postada – de dezembro de 2022)

Elisa, você nasceu!  E nasceu uma avó em mim.

Outro dia você estava no quentinho da barriga da sua mãe e nós ficávamos imaginando como você seria… Agora, está aqui, nos fazendo muito felizes e me ensinando a ser avó.

Você acredita que vi o parto da sua mãe? Eu e sua dinda Gabi, sabia? Foi tão lindo, mas tão lindo, que nem sei explicar. Uma honra, uma felicidade, um enorme orgulho. Que momento!!! Foi no dia 25 de novembro que você veio a esse mundo e tem sido tão intenso que ainda não tinha conseguido escrever pra você! Você já tem um mês de vida e te amo tanto, que nem sei dizer!!!

Te admiro a cada segundo… cada sorrisinho (que ainda é um reflexo, mas em breve você vai me reconhecer, eu sei), cada bocejo que acaba em choro, cada soluço quando você golfa ou tem frio, cada biquinho… Amo cada pedacinho seu. Tão perfeita, saudável, esperta.

Elisa, espero sempre ansiosamente pelo tempinho que teremos juntas todo dia, sabia? Te cheirar, te abraçar, te aninhar nos meus braços – este é sempre o melhor momento do dia. Te amo e estou aqui. Sempre estarei. Por você e por toda a nossa família. Por todos os nossos cachorrinhos também…

Ao mesmo tempo que este amor transborda, vovó ainda nem entendeu completamente esta maravilha de função nova, que é ser vó. Essa delícia que é ter a filha da minha filha nos braços, cantar (ainda que desafinadamente) para você dormir, como eu fazia com sua mãe e com sua tia-dinda Gabi. Chorei esses dias te embalando ao som de uma música que é a cara de sua bisavó Coeli – chama Acalanto, do Dorival Caymmi. Lembro dela cantando… Não sei se para eu dormir, ou se para os netos mais velhos, mas eu amava ouvir… era uma sensação de paz, de amor, de carinho e de acolhimento. Só espero que você sinta isso também.

Elisa, eu te olho e penso como é tudo lindo e como a gente pode ser mais leve, sabe? Você veio para tranquilizar nossos corações depois de um período difícil da família, com perdas doídas… Entendo que você nos mostra que a vida é feita de ciclos e que devemos apreciar cada instante… Estamos todos aqui encantados e quero muito que você saiba disso um dia.

Vem aí um novo tempo no Brasil e um dia você vai estudar nos livros de história que vivemos um período bem complicado e confuso. Espero que – até você conseguir estudar – alguém ainda consiga nos explicar toda a loucura que está acontecendo aqui, sabe? Que venham tempos melhores para todas as pessoas!

Estamos a poucos dias de começar um novo ano e eu mal posso esperar pelos próximos tempos ao seu lado. Mas até agora, vocês estão aqui em casa, no cantinho que preparamos para receber você, sua mãe, seu pai e o Luca. Vocês vão embora dentro de alguns dias… E eu já estou aqui fazendo planos de como vou poder te ver sempre que sentir saudade… E já sei que terei muita saudade.

Vamos nos falando, vovó vai continuar escrevendo para você. E um dia vamos ler juntas e ver muitas fotos, também. Já disse que te amo?

Beijo bem, bem grande pra você!

Vovó Tuca, Regina, Rê, Vóvis…

28 de dezembro de 2022

OsSETE no nosso primeiro Natal

O Radialista

Hoje tem mais história! O segundo capítulo das homenagens…

PAULO CABRAL – O RADIALISTA

Continuando as comemorações do centenário de Paulo Cabral (1922-2009), cuja trajetória pessoal é uma amostragem histórica do desenvolvimento dos meios de comunicação no mundo, hoje apresentamos o seu percurso como locutor e sua eterna paixão pelo rádio…

Conheça mais sobre “a cativante história do cearense que brilhou no cenário brasileiro da política e da comunicação” baixando sua biografia: “A TRAJETÓRIA DE UMA VOZ”: https://temquevaler.com/wp-content/uploads/2022/08/paulocabral_biografia_completo.pdf

Com a ajuda de “amadores de radiotelefonia”, Demétrio Dummar deu início à primeira e maior estação de rádio cearense. Sob o prefixo PRE-9, em 1931, nascia a Ceará Rádio Clube.

Em 1939, a emissora organizou um concurso para a contratação de três novos locutores. O processo seletivo se tornou um grande evento, despertando a curiosidade do público, que acompanhava as provas através de alto-falantes instalados na Praça do Ferreira. Após executar com maestria um improviso, Paulo Cabral se avantajou sobre os demais candidatos, sendo aprovado como o primeiro entre os nove concorrentes. Uma vez que o resultado foi dado ao vivo, família e amigos iniciaram os festejos antes mesmo de sua chegada, recebendo-o com uma salva de palmas na rua. Com apenas 16 anos, Paulo sentia o gosto da conquista! Dois anos depois, ele ingressava na Faculdade de Direito.

Na PRE-9, Paulo Cabral cumpriu quase todos os papéis: entrevistas, programas de auditório e radionovelas. Carismático e alegre, conquistou a simpatia da sociedade cearense. Era uma celebridade nas ruas, onde recebia assédio do público.

Paulo Cabral: “Com essa minha cara, que sempre foi uma cara muito feia, de cearense mal-amanhado… mas eu fazia um galã e o meu irmão, José Cabral, fazia outro. E era muito interessante como o povo agarrava a gente na rua para abraçar, para dar parabéns, para pedir que fizesse isso ou aquilo. Uma vez encontrei uma fã, lá na Rua Barão do Rio Branco, e ela diz: “Por que é que você não rouba aquela mulher?! Tome coragem, roube aquela mulher! Satisfaça os desejos dela…”.

Às 13h, Paulo Cabral fazia o “Boa tarde”, faixa em que era lido algum texto literário. Às 21h, José Cabral fazia o “Boa Noite”. Para as poesias de própria autoria, Paulo usava o pseudônimo de Yvo Franco.

Entre os programas de auditório, houve o “Vesperal das Moças”, apresentado com João Ramos e Luciano Carneiro, que incluía músicas e sorteios de prêmios. Também o “Programa de Calouros” era sucesso de audiência. “A Hora do Comerciário” era um programa de auditório que preenchia o tempo de descanso no meio do dia. Com as lojas fechadas, os comerciantes ouviam o rádio nos cafés e na Praça do Ferreira, uma vez que, pelo alto custo do aparelho, tal tecnologia não havia chegado às residências.

Com seu bom humor e farta afetividade, Paulo Cabral comandou também programas infantis, como “O clube Papai Noel” e “A Cidade da Criança”.

Apesar de os leitores constituírem um seleto grupo de cidadãos alfabetizados, o jornal “O Povo” estava determinado a fomentar o gosto pelo saber, oferecendo suas edições a um preço irrisório (200 réis), viabilizado pela fortuna de seu fundador, Demócrito Rocha. A afinidade de princípios do periódico com a Ceará Rádio Clube refletia-se numa visível harmonia editorial.

Paulo Cabral honrosamente protagonizou a primeira chamada da Ceará Rádio Clube em ondas curtas para o Brasil… e para o mundo! Tamanho era o alcance, que chegava até mesmo na Suécia, onde a estação recebeu o prêmio de emissora estrangeira com maior audiência.

Em 1942, durante viagem ao Brasil para as filmagens do documentário “Its All True”, o cineasta Orson Welles concedeu uma importante entrevista a Paulo Cabral (ocasião em que presenteou o brasileiro com um rádio-gravador de aço, o primeiro que Paulo possuiu). A ousadia dessa entrevista, em plena Era Vargas, assim como outras situações em que a Ceará Rádio Clube sustentou sua liberdade de expressão, consolidavam, pouco a pouco, a credibilidade da emissora e de seus colaboradores.

No final da Segunda Guerra Mundial, a juventude das faculdades existentes no Ceará (Farmácia, Odontologia, Agronomia, Contabilidade e Direito) foi convocada para integrar a primeira turma do CPOR de Fortaleza. Em 1943, somando à vida acadêmica e profissional, Paulo incorporou-se ao exército. Antigas e novas amizades tornaram a experiência agradável: Mauro Barbosa Botelho, Péricles Sales Freire, Zenon da Cunha Barreto, Abelardo Barbosa e José Bonifácio Câmara. Juntamente com o alegre e comunicativo Tenente Vitoriano Freire, professor de Transmissões, Paulo Cabral organizou espetáculos fascinantes no pátio do quartel e no sítio “Carrapicho”.

Em 1944, Paulo formava-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Ceará e Oficial da Reserva do Exército Brasileiro pelo CPOR, como “Segundo Tenente da Infantaria”.

A Ceará Rádio Clube era um sucesso entre todas as idades! A aposta no método inovador de entretenimento fez crescer os olhos de grandes empresários e corporações. A política nacionalista de Getúlio Vargas determinava que o controle das empresas de radiodifusão estivesse nas mãos de brasileiros natos ou naturalizados. Por esse motivo, o sírio João Dummar, após uma explícita perseguição política, foi obrigado a vender a PRE-9. O comprador foi Assis Chateaubriand, que incorporou a Ceará Rádio Clube à sua extensa rede de veículos de comunicação denominada “Diários Associados”. Paulo Cabral, com 22 anos, foi mantido no cargo de Diretor Executivo, que ocupava desde os 19, porém agora em nível nacional.

Pela Ceará Rádio Clube, Paulo apoiou com entusiasmo campanhas humanitárias, mobilizando doações em socorro das vítimas das enchentes do Rio Jaguaribe e para “salvar a Santa Casa de Misericórdia”, que, em 1948, ameaçava fechar as portas. O jovem ficava pendurado nos microfones em tempo integral, atuando como animador da campanha, a ponto de quase perder a voz. Todo o esforço valeu, pois os resultados superavam em muito a emergência original.

A crescente popularidade de Paulo Cabral atraiu os holofotes da política…

Paulo Cabral: “Sem nenhuma dúvida, a minha popularidade cresceu enormemente com as campanhas humanitárias, contribuindo de maneira significativa para a construção do lastro eleitoral que me levou à Prefeitura de Fortaleza.”

Semana que vem tem mais!

Muito orgulho, pai! ❤️

#paulocabraldearaujo

#atrajetoriadeumavoz

#paulocabral100anos

#100anosdepaulocabral

Tem o livro completo aqui também: https://temquevaler.com/wp-content/uploads/2022/08/paulocabral_biografia_completo.pdf

Então, 2011, tem que valer!

Finalmente parece que vou conseguir dar início ao blog! Depois de mais de seis meses, estou voltando aqui, com uma pontinha de saudade do blog que nem comecei ainda… por incompetência, por um pouco de falta de tempo, por muito trabalho. Mas…(usando uma frase pra lá de original, inventada agorinha mesmo) “antes tarde do que nunca”! Que neste ano que mal acaba de acordar (ainda com essa cara sonolenta e com jeitão preguiçoso, embalado pela chuva que teima em não parar de cair em Brasília), seja possível começar “de verdade verdadeira” o blog! Afinal, TEM QUE VALER, 2011!