O Radialista

Hoje tem mais história! O segundo capítulo das homenagens…

PAULO CABRAL – O RADIALISTA

Continuando as comemorações do centenário de Paulo Cabral (1922-2009), cuja trajetória pessoal é uma amostragem histórica do desenvolvimento dos meios de comunicação no mundo, hoje apresentamos o seu percurso como locutor e sua eterna paixão pelo rádio…

Conheça mais sobre “a cativante história do cearense que brilhou no cenário brasileiro da política e da comunicação” baixando sua biografia: “A TRAJETÓRIA DE UMA VOZ”: https://temquevaler.com/wp-content/uploads/2022/08/paulocabral_biografia_completo.pdf

Com a ajuda de “amadores de radiotelefonia”, Demétrio Dummar deu início à primeira e maior estação de rádio cearense. Sob o prefixo PRE-9, em 1931, nascia a Ceará Rádio Clube.

Em 1939, a emissora organizou um concurso para a contratação de três novos locutores. O processo seletivo se tornou um grande evento, despertando a curiosidade do público, que acompanhava as provas através de alto-falantes instalados na Praça do Ferreira. Após executar com maestria um improviso, Paulo Cabral se avantajou sobre os demais candidatos, sendo aprovado como o primeiro entre os nove concorrentes. Uma vez que o resultado foi dado ao vivo, família e amigos iniciaram os festejos antes mesmo de sua chegada, recebendo-o com uma salva de palmas na rua. Com apenas 16 anos, Paulo sentia o gosto da conquista! Dois anos depois, ele ingressava na Faculdade de Direito.

Na PRE-9, Paulo Cabral cumpriu quase todos os papéis: entrevistas, programas de auditório e radionovelas. Carismático e alegre, conquistou a simpatia da sociedade cearense. Era uma celebridade nas ruas, onde recebia assédio do público.

Paulo Cabral: “Com essa minha cara, que sempre foi uma cara muito feia, de cearense mal-amanhado… mas eu fazia um galã e o meu irmão, José Cabral, fazia outro. E era muito interessante como o povo agarrava a gente na rua para abraçar, para dar parabéns, para pedir que fizesse isso ou aquilo. Uma vez encontrei uma fã, lá na Rua Barão do Rio Branco, e ela diz: “Por que é que você não rouba aquela mulher?! Tome coragem, roube aquela mulher! Satisfaça os desejos dela…”.

Às 13h, Paulo Cabral fazia o “Boa tarde”, faixa em que era lido algum texto literário. Às 21h, José Cabral fazia o “Boa Noite”. Para as poesias de própria autoria, Paulo usava o pseudônimo de Yvo Franco.

Entre os programas de auditório, houve o “Vesperal das Moças”, apresentado com João Ramos e Luciano Carneiro, que incluía músicas e sorteios de prêmios. Também o “Programa de Calouros” era sucesso de audiência. “A Hora do Comerciário” era um programa de auditório que preenchia o tempo de descanso no meio do dia. Com as lojas fechadas, os comerciantes ouviam o rádio nos cafés e na Praça do Ferreira, uma vez que, pelo alto custo do aparelho, tal tecnologia não havia chegado às residências.

Com seu bom humor e farta afetividade, Paulo Cabral comandou também programas infantis, como “O clube Papai Noel” e “A Cidade da Criança”.

Apesar de os leitores constituírem um seleto grupo de cidadãos alfabetizados, o jornal “O Povo” estava determinado a fomentar o gosto pelo saber, oferecendo suas edições a um preço irrisório (200 réis), viabilizado pela fortuna de seu fundador, Demócrito Rocha. A afinidade de princípios do periódico com a Ceará Rádio Clube refletia-se numa visível harmonia editorial.

Paulo Cabral honrosamente protagonizou a primeira chamada da Ceará Rádio Clube em ondas curtas para o Brasil… e para o mundo! Tamanho era o alcance, que chegava até mesmo na Suécia, onde a estação recebeu o prêmio de emissora estrangeira com maior audiência.

Em 1942, durante viagem ao Brasil para as filmagens do documentário “Its All True”, o cineasta Orson Welles concedeu uma importante entrevista a Paulo Cabral (ocasião em que presenteou o brasileiro com um rádio-gravador de aço, o primeiro que Paulo possuiu). A ousadia dessa entrevista, em plena Era Vargas, assim como outras situações em que a Ceará Rádio Clube sustentou sua liberdade de expressão, consolidavam, pouco a pouco, a credibilidade da emissora e de seus colaboradores.

No final da Segunda Guerra Mundial, a juventude das faculdades existentes no Ceará (Farmácia, Odontologia, Agronomia, Contabilidade e Direito) foi convocada para integrar a primeira turma do CPOR de Fortaleza. Em 1943, somando à vida acadêmica e profissional, Paulo incorporou-se ao exército. Antigas e novas amizades tornaram a experiência agradável: Mauro Barbosa Botelho, Péricles Sales Freire, Zenon da Cunha Barreto, Abelardo Barbosa e José Bonifácio Câmara. Juntamente com o alegre e comunicativo Tenente Vitoriano Freire, professor de Transmissões, Paulo Cabral organizou espetáculos fascinantes no pátio do quartel e no sítio “Carrapicho”.

Em 1944, Paulo formava-se Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito do Ceará e Oficial da Reserva do Exército Brasileiro pelo CPOR, como “Segundo Tenente da Infantaria”.

A Ceará Rádio Clube era um sucesso entre todas as idades! A aposta no método inovador de entretenimento fez crescer os olhos de grandes empresários e corporações. A política nacionalista de Getúlio Vargas determinava que o controle das empresas de radiodifusão estivesse nas mãos de brasileiros natos ou naturalizados. Por esse motivo, o sírio João Dummar, após uma explícita perseguição política, foi obrigado a vender a PRE-9. O comprador foi Assis Chateaubriand, que incorporou a Ceará Rádio Clube à sua extensa rede de veículos de comunicação denominada “Diários Associados”. Paulo Cabral, com 22 anos, foi mantido no cargo de Diretor Executivo, que ocupava desde os 19, porém agora em nível nacional.

Pela Ceará Rádio Clube, Paulo apoiou com entusiasmo campanhas humanitárias, mobilizando doações em socorro das vítimas das enchentes do Rio Jaguaribe e para “salvar a Santa Casa de Misericórdia”, que, em 1948, ameaçava fechar as portas. O jovem ficava pendurado nos microfones em tempo integral, atuando como animador da campanha, a ponto de quase perder a voz. Todo o esforço valeu, pois os resultados superavam em muito a emergência original.

A crescente popularidade de Paulo Cabral atraiu os holofotes da política…

Paulo Cabral: “Sem nenhuma dúvida, a minha popularidade cresceu enormemente com as campanhas humanitárias, contribuindo de maneira significativa para a construção do lastro eleitoral que me levou à Prefeitura de Fortaleza.”

Semana que vem tem mais!

Muito orgulho, pai! ❤️

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