Paulo Cabral, obrigada por tudo 100 vezes!

CENTENÁRIO DE PAULO CABRAL DE ARAUJO

É textão, sim, mas se você quiser ler, não leva mais que 4 minutos 🥰

Agosto é um mês especial para a nossa família. Neste ano de 2022, ainda mais: o dia 23 marca o centenário de nascimento de Paulo Cabral de Araujo (1922-2009). Conhecido de muitos, merece ser conhecido por muitos mais. Assim, nossa singela homenagem será compartilhar semanalmente um pouco de sua vida, definida em sua biografia como “a cativante história do cearense que brilhou no cenário brasileiro da política e da comunicação”.

Sua voz, de timbre grave e envolvente, se fez ouvir nos setores mais influentes de nosso país. Ainda jovem, conquistou os microfones precursores da radiodifusão mundial. A mesma voz o lançou à política; colocou-o à frente de periódicos de relevo; outorgou-lhe o posto de alto executivo dos Diários Associados, como depositário do legado de Assis Chateaubriand; e reservou-lhe assento em nobres acordos sobre a liberdade de imprensa.

Sua fecunda vida transborda em um valioso registro histórico intitulado: “PAULO CABRAL DE ARAUJO: A TRAJETÓRIA DE UMA VOZ”.

Hoje, vamos apresentar um pouco das ORIGENS de Paulo Cabral.

1922. O Brasil se preparava para a primeira transmissão de rádio no país, durante as comemorações do Centenário da Independência, no Rio de Janeiro, capital federal. Na pequena cidade de Guaiúba (Ceará), a 23 de agosto, nascia Paulo Cabral de Araujo.

Com o sustento de um modesto comércio, seu pai, João Augusto de Araujo, fez florescer com Dona Maria do Carmo uma considerável prole: Luzanira, José Cabral, João de Deus, Leilah e Paulo.

Além de prover víveres de toda ordem, Sr. João Augusto exercia a função de farmacêutico e médico do povoado. Era chamado de “coronel”, em respeito às virtudes que distribuía: disposição ao labor, humildade, compaixão, senso de justiça e liderança, compondo junto a seus conterrâneos uma imagem de homem bom – o que culminou, por duas vezes, na sua eleição para Prefeito de Pacatuba.

Antes do nascimento do último filho, Dona Carminha predestinou que seu nome seria Paulo e que seguiria a carreira eclesiástica. Aos 4 anos de idade, após precoce Eucaristia, Paulo Cabral recebeu uma batina de padre. O caboclo saía desfilando seu hábito pela cidade, respondendo pelo apelido de “Padre Véi”. Embora o celibato não tenha sido seu destino, Paulo manteve com fervor sua fé ao longo de toda a vida.

Depois das aulas de alfabetização e piano ministradas em casa, costumava banhar-se na barragem que ficava no terreno de sua casa. Mesmo sendo uma queda d’água baixinha, proveniente do Rio Pacoti, ganhava status e brilho na aridez do Ceará. O garoto era tímido demais para esportes e brincadeiras em grupo. Seu tempo livre transcorria na barra da calça de seu pai, a quem era muito achegado, passando longas horas com ele no armazém.

Dona Carminha não escondia o desejo de morar na sofisticada e moderna capital, onde os filhos pudessem receber educação formal, conquistando “diploma de doutor”! Por um futuro melhor, a Família Cabral de Araujo se transferiu, em 1930, para Fortaleza, assentando residência à Rua do Imperador, no Centro, porção mais movimentada e conceituada da cidade.

Paulo desembarcava em uma urbe que ultrapassara os 100 mil habitantes. Era difícil imaginar algo tão imenso! Seus olhos encontraram a silhueta de uma cidade forte, como o próprio nome anunciava: ruas calçadas com pedra, edifícios imponentes, bondes elétricos, os primeiros ônibus já em circulação e vias com iluminação pública, que abandonava o sistema a gás pela eletricidade. Em contraste a essa prosperidade, graves problemas sociais, entre eles o cólera e a hanseníase, surgiam pela migração em massa de sertanejos, exauridos pela escassez decorrente da histórica seca iniciada nos anos 20.

Comerciantes vindos de outros países e municípios realizaram forte investimento em locais de lazer e periódicos que enalteciam a elite emergente. As revistas Ba-Ta-Clan, A Jandaia e o Ceará Ilustrado, em parceria com casas de moda como A Maranhense, A Nacional e A Cearense, incutiam em seus leitores os costumes da Belle Époque francesa. Pelas ruas da cidade, em meio a pedintes, ou devidamente autorizados nos portões do Passeio Público, homens e mulheres desfilavam charme, com trajes e penteados como que saídos dos cartazes de filmes que enfeitavam o Theatro José de Alencar. A mesma elegância era registrada nas fotografias em estúdio, entre os mais famosos a ABA-FILM.

Foi no Instituto de Humanidades que Paulo concluiu sua alfabetização. Ali, foi diretor em um projeto mirim, o jornal “O Exemplo”, pavimentando, aos 12 anos, o futuro do jornalista que viria a ser. Os colegas José Bonifácio Câmara e Abelardo Guilherme de Freitas Barbosa tornaram-se companheiros eternos. Com eles, juntamente à irmã Leilah, Paulo desbravou o centro da cidade, frequentando a Praça José de Alencar e a Praça do Ferreira, onde erguia-se um bonito relógio conhecido como Coluna da Hora, além de quatro quiosques de aparência artística que abrigavam conceituados cafés.

As finanças da família começaram a decair e o Sr. João Augusto se viu obrigado a vender suas propriedades em Guaiúba. Mas não havia como esquecer aquela terra… Com o coração cheio de saudade, retornavam sempre, provocando encontros que acabavam envolvendo toda a população, com a presença da banda de música da cidade e grupos folclóricos.

Paulo iniciou o Ginásio no Instituto São Luiz, transferindo-se depois para o Liceu do Ceará. Neste período, morou com o irmão José Cabral, de apelido “Lilito”, principal locutor da Ceará Rádio Clube.

Durante o colégio, os rapazes da família Cabral de Araujo, juntamente com outros estudantes aplicados e politizados, fundaram o “Grêmio Machado de Assis”, do qual faziam parte: Paulo Cabral de Araujo, João de Deus Cabral de Araujo, José Cabral de Araujo, Raimundo Ribeiro, Eduino Ellery Barreira, Newton Lima, Geraldo Alencar Nogueira, José Pontes Neto, Amilcar de Castro e Silva e Eliezer Fortes Magalhães.

Tudo prenunciava a pujante juventude que lançaria Paulo nos braços do radialismo, consequentemente protagonizando e testemunhando a vertiginosa evolução dos meios de comunicação no Brasil.

Obrigada por tudo, pai! ❤️

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