Carta para a Regina de 15 anos

Menina do céu, a gente entrou nos 60!

E, sabe, eu fecho os olhos hoje e penso na Regina de 15 anos. E sei que, aos 15, você não pensava em como seria aos 60, mas, olha, você tá aqui, oficialmente idosa…

Preciso te contar: você se superou muitas vezes. Você cresceu, amadureceu, casou, teve filhas, tem uma neta e um netinho a caminho, tem muita saudade acumulada ao longo da vida, claro…

Trabalhou muito! Ganhou pouco dinheiro, é verdade, mas sempre trabalhou em coisas que você gostou de fazer, se realizou fazendo, mesmo quando as coisas estavam difíceis. Mas quer saber? A Regina de 60 está cheia de novos planos, acredita?!

Você amou muito, também foi muito amada, eu sei. Viveu um amor lindo, que durou bastante tempo! Você tem muitas amigas, muitas delas ainda desde os 15, algumas até antes. Você manteve muitas amizades do ensino médio, algumas do ensino fundamental (aquele que chamávamos de primeiro grau)

E, olha, você chegou aos 60, mas você ainda pensa como uma menina de 20 ou como uma mulher de 30. Ou ainda uma de 40. Todas elas estão aqui dentro de você. Já ouvi muitas pessoas dizerem que se sentem assim também . Acho que é assim que cultivamos a juventude dentro de nós.

Todas essas Reginas estão aqui. A Regina de 15, de 20, de 30, de 40, de 50. Estão todas aqui dentro dessa de 60. Se me encontrasse com a Regina de 15 agora, diria que me cuidei como pude, me descuidei um pouco também, fiz o que deu!…

Preciso contar que você ainda tem muita rede de apoio, tem muita rede de apoio. Suas filhas, suas irmãs, seus irmãos, suas muitas amigas antigas e as novas, essas que você foi fazendo ao longo da vida também. Todas essas pessoas ajudaram a construir o que você é hoje.

Sabe quando a gente é adolescente e que a gente pensa que as amigas são tudo no mundo? Elas são mesmo. Quanto mais, melhor. E você conseguiu manter várias. Construiu amizades sólidas, profundas. São salvadoras, as amizades.

E a gente está aqui. Talvez você não imaginasse que nesse momento, chegando aos 60 anos, sua vida fosse mudar tanto, mulher. Começar de novo. Mais uma vez, mas agora, bem diferente…

Pois é, às vésperas de se tornar SEXagenária, você vai morar sozinha, com seus cachorros. Fim de um sonho? Saiba que foi bom e não tente mudar nada do que aconteceu… vivemos momentos incrivelmente lindos e importantes. Agora, é mais um ciclo que começa…

Essa virada de vida veio sem planejamento, sabe? Mas veio em um momento maduro, uma decisão conjunta, sabe? Ainda assim, é uma barra! Mas você está segurando a barra. E está se superando de novo.

Olha que legal. Aos 60 anos, Regina… você conseguir ainda se superar. Fique orgulhosa de você.

Se eu pudesse dizer algo para a menina de 15, eu diria: nós estamos bem. Nós conseguimos. E nós ainda vamos mais longe.

A gente, claro, não pode prever o que acontece. Mas se der, essa Regina aqui quer viver 100 anos… Acredito que a Regina de 15, a Regina de 20. A de 25, a de 35, a de 40, 45, 50, 55. Todas essas Regina estão aqui dentro e querem viver muito ainda!!!

Então, vamos nessa! Que a gente tem muita coisa pela frente. Eu tenho certeza que a gente ainda tem muitos desafios aí. Pra superar. Vamos juntas.

Ah! A imagem que ilustra este post foi feita com Inteligência Artificial. Isso aí é uma loucura, que nem podíamos imaginar aos 15… Legal, né?!

É isso! Bora viver esta maturidade, com energia e disposição!

Carta para a Regina de quase 60 anos

Neste momento, estou em Pirenópolis – a pouco mais de 150 km de Brasília, mas parece mais longe daqui. Férias, descanso, jornada de autoconhecimento. Uma temporada curtinha – cheguei domingo, hoje é terça e vou embora amanhã. Mas estou aproveitando cada minuto. Sozinha – sem sentir solidão. Nunca tinha experimentado. Primeira vez agora, quando estou a cinco meses de completar 60 anos.

Esses 60 batendo à porta… Por que assustam? Só alguns números juntos. Não me sinto com 60, mas o que significa isso? Posso ter a idade que quiser? Minha idade não me define como a hashtag que uso nas redes sociais? Lá vem eles: toc, toc, toc…

Estou vivendo um período de transformações. Com os 60 batendo à porta. Estou investindo em mim – terapia, consultoria financeira… um pouco de meditação, atividade física com personal trainer. Investimentos que preciso. Tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. Muitos desafios.

E os 60 batendo à porta. O que vai mudar, afinal? Uma carteira de idosa? Estacionamento em locais privilegiados? A aposentadoria do INSS? Ainda não sei. Mas acho que muda mais o olhar das pessoas. Ouvi isso outro dia em um podcast: que a gente envelhece quando o olhar das pessoas sobre nós muda. Pode ser. Tem mudado de alguma forma há alguns anos. A forma como nos chamam de “senhora” com mais reverência… um pouco de complacência também…

Mas a gente envelhece também quando se olha no espelho e a idade tá lá: visível e palpável. As rugas, marcas do tempo, da vida, o colágeno (ah, o colágeno) que se esvai… a pele, mais fina, mais sensível, mais flácida.

Mas, por que isso é importante? Porque os 60 estão ali, batendo à porta.

Voltando à minha temporada: estou lendo Juliana Monteiro, uma jornalista sensível, com uma escrita tão verdadeira que dói. Indicação de outra Juliana – a Oliveira, uma jornalista e advogada e amiga das melhores. Amo. Mais a Barbosa, claro, porque conheço de pertinho e conto com ela todos os dias.

Bom, sobre a Juliana – a Monteiro. Estou lendo uma obra sobre a pandemia (Nada lá fora e aqui dentro). Faz cinco anos que vivemos tudo aquilo. Parece mais. Às vezes, parece menos também. Tanta coisa em cinco anos e meio. Tanta coisa que esquecemos também: o medo, a finitude espreitando, a esperança que o mundo melhorasse, que as pessoas ganhassem doses extras de empatia… As pessoas queridas que se foram com a covid-19. Amizades que ficaram para trás por causa das polêmicas (essas, talvez nem fossem amizades).

Mas o livro me trouxe de volta à minha vida. E à vontade de escrever. Muita vontade de escrever. Talvez por estar aqui nesta jornada de autoconhecimento. Sozinha, mas sem solidão. E com os 60 batendo à porta.

Também me levou novamente a março de 2020. Cinco anos e meio – período em que perdi um irmão, minha mãe, uma amiga de infância, minha sogra. Nesta ordem.

Também ganhei o melhor presente de todos. Virei avó. Foi de uma maneira linda, com muito, muito amor envolvido. Elisa é a menininha mais linda que conheço. E perfeita (piada interna, ela um dia vai saber). Amo com uma força inexplicável. Daquele amor que a gente conhece quando os filhos nascem. E que a gente aprende a multiplicar.

Lá vou eu começar a chorar enquanto escrevo à beira da piscina, escutando as crianças brincarem. Quis escrever aqui, com uma paisagem linda em volta. Sozinha, mas rodeada de gente, de natureza, de música, de risadas de crianças… Não é solitário. Interessante.

E os 60 por aqui, espreitando, batendo à porta. Por dentro, os 30, 40, 50… todas as idades ainda falam muito alto. A mesma vontade de fazer coisas novas. E estou fazendo. O projeto novo do “Solta a Voz, Mulher” tem sido um combustível poderoso. Sempre que chamo as mulheres a soltarem sua potência, sua energia, estou chamando a Regina.

A Regina de 20, de 30, a Regina menina, adolescente, brincalhona, que gosta de dançar e de rir. De fazer os outros rirem. A Regina que ama com tanta força que parece que o peito vai explodir. A Regina que ainda acredita nela mesma. Nas possibilidades. No amor. Na vida.

Caiu um cisco aqui. Segura a lágrima, porque se a primeira cair, vem aí uma cachoeira. Procuro o garçom. Uma água com limão pra ajudar a engolir o choro. Minha mãe gostava de dizer isso: engole o choro. Tadinha… Teve que engolir muito choro. Como se fosse possível acabar com a emoção assim, engolindo. Nunca consegui.

Nem agora, com os 60 batendo à porta.




P.S.: uma nota que não pode deixar de estar aqui: estou tentando há bastante tempo dar uma parada pra respirar. Desta vez, foi possível graças à minha rede de apoio, que amo loucamente. Minha irmã, Carminha, me cedeu as diárias deste hotel incrível, que estou amando. Minha filha, Luciana, me emprestou o carro, porque compreendeu que a jornada começava ali, em Brasília, escolhendo o caminho para percorrer. Sozinha. E minha filha, Gabriela, que está cuidando dos meus cachorrinhos enquanto isso. Obrigada demais, meninas! ❤