Que venha o novo ciclo

A poucos instantes de encerrar um ciclo e começar outro, bate aquela dúvida de sempre: fiz o que deveria ou queria este ano?

Sinceramente, não tenho nem ideia… 2020 foi um período de aprendizado: fiz o que foi possível fazer. E está bem assim.

Meus ciclos de vida coincidem com os anos do nosso calendário… E, ao chegar ao fim deste ano, é inevitável pensar na pergunta mais clichê dos últimos tempos: “Que ano foi esse?!?!”

Quanta gente sofreu… Quantas perdas… amigos, pais e mães de amigos, familiares e conhecidos… quanta tristeza no mundo.

Que difícil pensar em mensagens animadoras e esperançosas!!! Que difícil falar em gratidão na minha vida quando 190 mil famílias brasileiras choram suas perdas e outras milhares, suas sequelas…

Mas tenho que agradecer! Tenho!!! Com uma família de mais de 60 pessoas, chegar aqui em dezembro com todos saudáveis é o meu maior presente de aniversário.

Faltaram os abraços, faltaram os almoços barulhentos, as risadas altas, as crianças correndo pela casa da mamãe nas festas.

Não vi as crianças da família crescerem este ano (e estão todas enormes! 🥰)…

Não tive as prometidas “Noites das Meninas” com as amigas, regadas a risadas, confidências e espumante…

Não tivemos churrascos com os amigos, feijoadas com os amigos, nem viagens de moto…

Não viajamos pra praia, minha eterna viagem dos sonhos…

Na Re9, não tivemos tantas das nossas reuniões de pauta regadas a muito café e risadas, nem os aniversariantes do mês com a tradicional “surpresa” na agência…

Mas, por outro lado, exercitamos novos saberes e novos modos de vida: home office, resiliência, paciência, meditação online, reuniões online, festas online, cursos online, exercício físico online, mais paciência, mais resiliência, mais meditação…

No meu caso, tudo isso com o privilégio de ter minhas filhas e meu amor ao meu lado. Privilégio também de ter ajuda em casa para conseguir trabalhar 10, 12, 15 horas por dia!

Tanto agradecimento que eu preciso fazer:

Aos que me aguentaram todos os dias, Magno, Lu, Gabi, Leandro e Caio – amo vocês! ♥️ Não sei o que seria de mim sem “OsSeis” ♥️

Elysson e Cida, vocês foram fundamentais pra eu conseguir atravessar essa loucura! Obrigada 🥰 Rádila, agora conto com você 🥰

Aos que se comprometeram comigo e não deixaram a peteca cair no trabalho: Ju, Liz, Gi, Victor, Gabi, Polly, Amanda, Bia, Nilma, Debbie, Andressa e ainda a Bárbara, a Cris e a Thais, que chegaram no meio desta confusão e toparam o desafio! Obrigada, família Re9 🙏🏼 Amo vocês ♥️

Às minhas irmãs que são sempre um porto seguro e a todas as amigas que escutaram minhas loucuras, dividiram as angústias comigo, me entenderam e me apoiaram, amo vocês de montão! ♥️

À toda a família Cabral, que se comprometeu com a saúde da mamãe e a protegeu, obrigada 🙏🏼♥️

Aos que magoei, que não entendi, que julguei, perdão 🙏🏼. Eu sei que não está sendo fácil pra ninguém e nem sempre fui capaz de compreender.

E agora? E o novo ciclo? Vamos em frente! Ainda sem certezas, ainda sem poder planejar a praia, as reuniões, as Noites das Meninas, os churrascos, as viagens e as festas. Mas entendendo que, graças a Deus, tenho saúde, força, fé, disposição e até uma dose de bom humor para enfrentar os desafios.

Vamos nessa, renovando os clichês, sim, clichês, mas ferramentas essenciais nestes tempos que vivemos: resiliência, coragem, paciência, empatia, humildade, solidariedade…

E, por favor, que eu siga com bom humor e fé na vida! ✨

Obrigada, Senhor! 🙏🏼 Que venham os 55!

Regina Cabral Trindade

Aquela senhora no espelho

Aquela senhora no espelho me cumprimenta e me pergunta como estou. Respondo que me sinto ótima, às vezes um pouco cansada, mas ótima, ainda assim. Ela me conta que vai fazer 55 anos daqui a menos de 30 dias, mas que se sente bem mais nova, uns 40, no máximo. Que se não fossem as rugas, os cabelos brancos que insistem em aparecer por baixo da tinta do cabelo, a pele mais flácida, a feição mais cansada, nem teria percebido a chegada dos 55. Também assusta pensar que já se aproxima mais dos 60 do que dos 50, não acha? Penso que sim, respondo sem pensar muito. É que os 60 já são a terceira idade “oficial”, completa. E me confidencia que a pressão deve ficar ainda mais insuportável: não fez plástica? Não acha que deveria? Não quer parecer mais jovem? Não deveria emagrecer? Agora tudo é mais complicado sim, imagino eu. Ela me responde que sim, tudo complica. A pele não é mais a mesma, as mãos não escondem o tempo, assim como o pescoço… O tempo não perdoa, fala reflexiva.

Mas, por dentro, me diz que pouco mudou. Carrega os sonhos da menina de 20, a determinação da mulher guerreira de 30 anos, a ousadia da mulher dos 40 e a maturidade dos 50 anos. Que a idade aparece mais por fora… E que às vezes isso dói um pouquinho, revela. É um momento em que “o corpo não combina mais com a cabeça“, lhe disseram uma vez. Agora entende bem como é.

Aquela senhora no espelho decide que precisa se maquiar, quem sabe esconder uma ou outra marca, quem sabe ressaltar uma ou outra qualidade. Quem sabe só dar uma melhorada para garantir um dia com a auto estima mais elevada. Arruma o cabelo, põe perfume, escolhe uma roupa, respira fundo e vai viver! Sabe que tem um dia corrido pela frente. A vida ainda é agitada, ainda bem, ela pensa no mesmo instante. A vida ainda exige coragem, força e muita determinação. E ela ainda quer tudo isso e muito mais. Quer trabalhar, viajar, fazer festa e seguir amando a família, os amigos, a vida.

Inspira, expira e toca em frente! Que venham os 55, 65, 70, 90. Se for com saúde e amor, tá valendo. Tem que valer!

A senhora do espelho é a mesma que aparece nas fotos, mas nem sempre é lembrada. Porque enquanto ela pedala, trabalha, brinca, ri da vida e de si mesma, ela ainda é a menina sonhadora, a guerreira determinada e a corajosa amadurecida.

A imagem que tem de si ainda não tem tantas rugas e nem os cabelos brancos. Aquela senhora no espelho é só uma parte da sua história.

Vai ficar tudo bem – não vai?

Na rua, o sol já se foi…

Os olhares cabisbaixos de medo e solidão quase não se cruzam mais

Sob algumas (ainda poucas) máscaras, a dor da dúvida

Sem abraços e beijos, os sorrisos não são mais os mesmos…

A incerteza deixa o ar sufocante e pesado

Os passos apressados e a distância recomendada isolam os corações

A atmosfera está pesada – de dúvida e de pânico

Mas a noite há de ir embora e o sol, ah, o sol, ainda vai brilhar de novo…

Vai ficar tudo bem!

Andrà tutto bene

Everything will be alright

Não vai?

Loucura em tempos de Coronavírus

A grande loucura do Fla Flu que estamos (re)vivendo no Brasil é que estamos lidando com a crise mais desconhecida que qualquer crise conhecida já conheceu. E olha que a gente já conheceu muita crise…

O pior de tudo é que não tem ganhador de nenhum lado nessa discussão, que continua corroendo amizades e famílias.

Quem quer salvar a economia a qualquer custo, vai assistir muita gente morrer por falta de respirador, pelos hospitais lotados, pelo colapso na saúde. Vai assistir milhares de famílias que não poderão nem mesmo enterrar seus mortos. Talvez alguém da própria família, que se expôs desnecessariamente ao risco da contaminação.

Estamos vendo isso ao vivo e em cores. O vírus foi relatado na China há menos de 90 dias. Na Europa, há menos tempo ainda. E já são contabilizadas quase 10 mil mortes na Itália, mais de 5 mil na Espanha, dois países com situação crítica. Em São Paulo, na data de hoje, 27/3, já se contabiliza 1 morte a cada 2 horas e 30 minutos. Todo dia, mais mortes.

Quem quer salvar vidas a qualquer custo e defende a #fiqueemcasa vai testemunhar uma quebradeira jamais vista na nossa economia. Vai assistir amigos perdendo emprego (ou o próprio emprego), uma multidão faminta nas ruas, empresas falindo (ou a própria empresa). E, ainda assim, assistirá a milhares de mortes pela Covid-19. Provavelmente menos mortes do que no cenário anterior, é o que se espera. É o que a ciência defende. É o que mostram as experiências dos outros países. Mas ainda assim, muitas mortes.

Ninguém sabe. Ninguém jamais terá certeza. O “e se…” sempre vai pairar sobre nossas cabeças.

Muitos “talvez” sem resposta. Muitas apostas arriscadas.

Quem pode ou quer contabilizar os mortos? Quem pode ou quer apostar fichas ou vidas nessa briga? Quem sairá “vencedor/a” nesse interminável Fla Flu?!?!

Dessa vez, não teremos ganhadores. Não mesmo…

Mas, da minha parte, continuarei fazendo de tudo para salvar vidas primeiro e a economia, depois. Por acreditar que não existe caminho sem a ciência. Não existe a reinvenção da vida. De nenhuma vida. Mas pode existir uma forma de reinventar a economia. Tem que existir. Vamos descobrir. Juntos. Vivos.

#FiqueEmCasa

#EstamosEmCasaPorVocês

#FiqueEmCasaParaSalvarVidas

*Regina Trindade*

27/3/2020

A tragédia anunciada a cada verão

Cena 1 – (a conversa) – Um casal reunido em um cubículo, onde dormem 3 crianças de 8, 6 e 3 anos. Os dois estão sentados numa mesa disposta num cantinho, observando as crianças dormirem no único colchão de casal que existe no espaço, ocupado ainda por uma geladeira e um pequeno fogão. Os guarda-roupas foram doados, as portas não fecham direito. O sofá maltratado está coberto por lençóis, indicando que eles terão que se dividir entre o espaço que sobrou da cama e o sofá, se quiserem dormir. Discutem a necessidade de sair daquele local, ameaçados que estão pelas constantes chuvas. Mas o pouco dinheiro que conseguem durante o mês não está sendo suficiente para pagar comida, transporte, alguma roupa para as crianças (a chuva também trouxe o frio), material escolar, aluguel, água, luz.

Cena 2 – (hora de acordar) – Toca o despertador do celular. São 3h30 da madrugada. Ela acorda ainda sonolenta, mas sabe que precisa levantar, prepara o café da manhã com o pouco que tem, cozinha o almoço – uma “mistura”, como ela chama, um pouquinho de tudo que conseguiu, mas tem arroz e feijão e uma carne pra dar gosto, deixa o do marido na marmita, toma um banho rápido no chuveiro frio, sai pra trabalhar. Deixa um bilhete pra vizinha que vai cuidar das crianças hoje. Pede que não esqueça o remédio do pequeno, ele tá tossindo muito, ela explica no papel mal escrito, com erros de português. Anda pouco mais de 1 km pela rua esburacada, por onde corre um esgoto a céu aberto. A rua fede. A chuva continua. O caminhão de lixo não consegue entrar na rua de terra esburacada e castigada pelas chuvas mais recentes, então ela vê vários sacos de lixo espalhados, rasgados, sendo levados pela água, o lixo já bóia. A água já cobre o sapato, mas ela tem fé que nada de mal vai acontecer. Deus há de prover aquela família. Chega às 5h no ponto de ônibus, debaixo de chuva, sabendo que vai enfrentar (se der sorte) umas 2h30 pra chegar ao trabalho, no mínimo. Talvez sejam 3h com a chuva. Mas ela chegará. Pode ser que a patroa dê uma bronca, vai perder a hora de passar o café e preparar as frutas, a tapioca. Pelo menos, terá uns R$ 150,00 na volta para comprar a comida do restante da semana, pagar o gás, talvez. Tá o olho da cara, o gás, quase R$ 80,00. Vai sobrar pouco, ela pensa. O marido também sai de casa, um pouco mais tarde, já que faz bicos pela vizinhança, às vezes na oficina que fica algumas ruas acima. Tira no máximo um salário mínimo por mês, quando muito. Tem que se virar pra pagar o aluguel do cubículo, a luz, compra algumas coisinhas, garante o mínimo. As crianças estão com saúde e é melhor não reclamar. Deus há de prover.

Cena 3 – (o fim do dia) – A chuva vai piorando ao longo do dia, a saída do trabalho está complicada, os ônibus não param do ponto. Ela espera mais de uma hora, a roupa tá ficando encharcada, o frio começa a castigar. Este é o só o primeiro ônibus, ela pensa. Está morrendo de preocupação com as crianças, mas a vizinha não ligou, isso deve ser um bom sinal. O celular dela não faz ligação, só recebe, ainda não deu pra comprar crédito. Deixou um celular com crédito em casa, nunca se sabe quando as crianças vão precisar. Leva quase 4 horas pra chegar em casa… Já são mais de 8 da noite. Com a chuva, nem conseguiu parar no mercadinho e comprar umas coisinhas, mas dá pra se virar no jantar com um pouquinho da comida que a patroa deu pra ela levar pra casa. Sobrou uma comidinha lá na casa onde ela faz faxina. Que coisa boa, ela pensa. Criançada vai gostar. Dá pra fazer uma mistura diferente, tem um franguinho. Chega com a situação bem pior na rua, mas ainda consegue passar. As crianças estão assustadas, correm pra mãe quando ela chega. A vizinha teve que ir embora mais cedo, deixou os pequenos sozinhos. Pelo menos a TV ainda funciona. O muro da casa da vizinha está ameaçando cair, ela não podia esperar mais. O marido ainda não voltou, está ajudando outros vizinhos que estão em situação pior, os móveis estão começando a ficar molhados. Empilha umas roupas que estavam num móvel baixo, calça o sofá com tijolos, porque a chuva começa a molhar o tecido.

Cena 4 – (o marido) – O marido chega tarde, molhado, troca de roupa, cai na cama exausto. Nem deu tempo de conversar, que pena. Mas ela ainda não pode dormir, Precisa tentar limpar o pouco que não molhou, tenta salvar umas roupinhas, põe a criançada pra dormir, vai lavar a louça, arrumar o que é possível.

Cena 5 – (a chuva) – A chuva é impiedosa à noite, invade a casa, mas as crianças estão a salvo. A lama e a sujeira tomam conta do lugar. Os vizinhos estão saindo às ruas, alguns já perderam tudo. Eles até que têm sorte. A casa fica no ponto mais alto da rua. A água só cobre uns 30 cm. Dá pra salvar muita coisa, até o cachorrinho está em cima da cama. Deus há de prover, não foi isso que o pastor falou? O marido sai de novo, vai ajudando quem pode ajudar, a rua já está muito cheia, a geladeira do vizinho está no meio da rua, muita bagunça, parece que tem gente dentro de uma casa que desabou na outra rua. Estão chamando voluntários para ajudar. O sofá do outro vizinho também está boiando, tem crianças chorando, com medo, a água está correndo como um rio na rua suja, cheia de lixo, de móveis velhos, de roupas boiando… Ele quer ajudar, mas pode fazer pouco, tem até carros sendo levados pela correnteza… Ele enfrenta, vai um pouco mais longe, tá ouvindo gritos de socorro. Podiam ser seus filhos, pensa. De repente, a água ganha força e ele é tragado, levado com a correnteza. A mulher grita, mas ele não ouve mais. Onde será que ele está? Com certeza, vai se agarrar a alguma coisa. Ela não pode deixar as crianças. O menorzinho tá chorando de novo, a tosse não para. Melhor esperar o dia raiar, as autoridades devem aparecer, ela pensa. Os bombeiros vão chegar, terão ajuda. Foi o que disseram. Foi o que ouviu na igreja. Entra em casa, reúne as crianças para ficar mais quentinhos. Fazem uma oração, pedem que o pai esteja a salvo. Deus há de prover. Conseguem cochilar um pouco, mesmo assustados com o barulho da chuva.

Cena 6 – (as autoridades e a imprensa) – O dia amanhece. Ele ainda não voltou. Ela faz mais uma oração. Hoje não vai dar pra trabalhar, pensa. Ninguém vai poder ficar com as crianças. As autoridades aparecem quando a água baixa, umas 12 horas depois. Vem um monte de repórteres, todos com botas, galochas, capas de chuva. Nada do marido ainda. Os vizinhos estão desesperados, muito móvel na rua, muito lixo, alguns desaparecidos, ninguém sabe o paradeiro de duas crianças que estavam sozinhas na casa do fim da rua. O pastor, o político, o gestor público. Estão de terno, de bota, de casaco, de capa de chuva. Os repórteres mostrando tudo, muitas câmeras, muitas perguntas. Ela não quer nem ver, nem falar, mas estão muito perto de sua casa, o único lugar da rua que a água não chegou ao joelho.

Cena 6 – (os discursos) – O pastor diz que “as pessoas gostam de morar aqui perto porque gastam menos tubo para colocar cocô e xixi e ficar livre daquilo”.  Ela pensa no esgoto, no mau cheiro, nas crianças que ficam doente frequentemente porque brincam com a água suja. Pensa em quantas vezes as torneiras ficam secas, em quantas vezes a água chega lamacenta e sem condições de cozinhar. Pensa no nojo que sente quando ferve a água pras crianças beberem, mesmo sabendo dos riscos de doença.

O gestor público afirma que “A culpa é de grande parte da população, que joga lixo nos rios frequentemente”.  E prossegue:  “tem certas coisas que o cidadão tem que fazer por si mesmo para evitar mortes e acidentes”. Ela lembra que o caminhão de lixo não chega lá. Que o saco de lixo tá o olho da cara, que as sacolas do mercadinho arrebentam com o lixo antes mesmo de ela conseguir entregar pro lixeiro.

O pastor diz que a população precisa estar atenta a “essas coisas da higiene do dia a dia e também do cuidado na hora em que for escolher a sua moradia”. Escolher? Ela pensa… Não havia opção. Foi sendo expulsa da cidade, do bairro, dos endereços um pouco melhores. O marido perdeu o emprego depois daquele bendito acidente quando carregava uns sacos de cimento no caminhão. Perdeu a força nos braços. Ficou desempregado, coitado. Analfabeto, mal sabe escrever o nome e ainda sem forças? Foram obrigados a procurar alguma coisa mais barata. Ela sente saudade de quando morava perto da mãe e dos irmãos, lá do outro lado da cidade, onde a chuva castiga bem menos…

O político aproveita o momento pra fazer palanque e garante que se for eleito, vai mudar aquela situação, vai ajudar aquelas pessoas. Mais um que promete, ela pensa. Mas acredita que um dia alguém vai olhar por eles. Tem fé.

Cena 7 – (o final, ou o recomeço) – Corta para a nossa personagem: em casa, sozinha, com os 3 filhos, sentindo frio. Já não tem notícia do marido há 2 dias. Soube que uma vizinha morreu eletrocutada. Que o marido da outra morreu afogado. Tem umas crianças desaparecidas, disseram, mas ela ainda não sabe quem são. Mas Deus há de prover. Liga a TV, ouve o noticiário: “Neste verão, o total de mortes por chuvas no Sudeste já chegou a pelo menos 140, 70% a mais do que no verão passado, quando houve 82 vítimas”. Faz uma oração para acharem o marido com vida, ainda que não tenha mais esperanças. Consegue agradecer por não morar mais perto do morro, onde sabe que morreu ainda mais gente. Um trovão ecoa, a luz invade a janela. Ela escuta novamente a TV: “o total de desabrigados e desalojados no período passa de 87 mil, segundo dados da Defesa Civil. 200 pessoas ainda estão desaparecidas na Baixada Santista”. Em seguida, ainda tem o político falando que “vão até lançar um programa novo: o Balsa Família!”. Parece que ele quis fazer uma piada, disseram. E a luz apaga de vez. Talvez amanhã não consiga mais dormir em casa, pensa. Pode ser mais seguro levar as crianças para um abrigo. Disseram que a prefeitura está montando abrigos.

O dia está clareando, não pregou os olhos com medo da tempestade e ainda esperando receber notícias do marido. Está pronta para recomeçar. Só não sabe onde, nem como, mas sabe que pode recomeçar. As crianças tossem, ela assusta, mas continuam a dormir. Não sabe o que terá pra dar pra elas comerem, mas dará um jeito. Deus está ao seu lado, ela sabe disso. E confia.

Obs.: todas as aspas atribuídas aos políticos são verdadeiras. Terrivelmente verdadeiras.

O que estou fazendo? O que estamos fazendo?

Há alguns meses estou treinando para tomar uma atitude, montar um grupo de pessoas que têm vontade de mudar as coisas. Algumas conversas hoje me deram a coragem necessária para começar… Chega de retardar a decisaõ. Aqui vamos nós. Talvez para o início de uma grande aventura rumo a dias melhores. Talvez nem tanto, talvez um monte de coisas, mas certamente será um desafio. Um enorme desafio.

Mandei uma provocação (abaixo) para alguns (algumas) amigos (amigas). Vamos ver no que dá… Depois eu conto.

O que estou fazendo?
É uma pergunta que tenho me feito. Tenho saúde, tenho família, informação, tenho acesso a um mundo de oportunidades, tenho educação, tenho trabalho. Mas, de verdade, o que estou fazendo?
Fazendo para transformar, para inspirar, para contribuir?
Separo lixo? Pago meus impostos? Gero um emprego aqui, outro acolá? Procuro ser gentil, educada?
É isso? Só isso?…


O que estou fazendo de verdade para contribuir com as outras pessoas, com o mundo? O que estou fazendo que fará a diferença na vida de alguém? O que vai ficar, quando eu não estiver aqui?
Essa dúvida tem me incomodado.
Preciso sair da minha “zona de conforto”. Não consigo mais apenas ter informação, ter vontade e não fazer nada. Vou me mexer. Mas, para onde? Em que área? Educação, saúde, cidadania, mulheres, crianças, idosos, uma comunidade, uma causa, uma instituição? Não sei.


Mas o que eu sei é que não conseguirei sozinha.
Preciso de ajuda. Preciso de mais braços, mais cabeças pensantes, mais ideias, mais “vontades”. E foi por isso que pensei em você. Será que você também tem esta vontade? Quer fazer alguma coisa e não saber por onde começar? Que tal a gente começar junto? Bora?
Se quiser, se tiver vontade, se quer fazer alguma coisa, me fala. Quero montar um grupo. De gente que esteja disposta a agir. E que também entenda que precisa de mais gente para ajudar.


Quero começar com um encontro. Encontro de gente que tem ideia, vontade, que quer fazer acontecer. Me diz se você tá dentro? Se topa o desafio? Quero marcar alguma coisa ainda em maio – entre os dias 14 e 24 (porque vou viajar antes e depois). Já me diz, por favor, se você quer e se tem algum dia da semana que seja melhor. Não precisamos ser muitos, só precisamos querer.
Se puder, me dá um retorno? Mesmo que seja para dizer que ainda não pode entrar no projeto, tá?


Vou terminar com uma frase que sempre me impacta em um anúncio do Médico Sem Fronteiras: “Os seres humanos podem ser cruéis, egoístas e indiferentes, mas só quem pode salvar a vida de outro ser humano é um ser humano”.

Beijos!

Tem dias que dá vontade…

(Sobre aqueles dias em que dá vontade de sumir)

Tem dias que dá vontade de acordar de novo, começar de novo, nascer de novo.

Tem dias que dá vontade de sumir, desaparecer, fugir, não existir.

Tem dias que dá vontade de ser ninguém, de ser outra pessoa, de ser eu mesma, só que diferente.

Tem dias que dá vontade…

Dá vontade de não pensar, de não ler, de não entender.

Dá vontade de sair por aí, de fazer uma loucura, de simplesmente partir.

Tem dias que dá vontade…

Mas tem a vida pra seguir em frente, tem a realidade que não deixa fugir, tem a rotina, tem o trabalho, tem a família.

Tem que respirar e não pirar. Tem que meditar e rezar. Tem que entender o outro, quando você não entende nem a si mesma.

Tem dias que dá vontade…

Mas aí você escreve. E espera a vontade passar.

Porque amanhã é segunda-feira, tem reunião, tem cliente, tem supermercado, tem que trabalhar. E não dá tempo de ter vontade.

Mas que tem dias que dá vontade… Isso, tem.

Eu não gosto do Dia da Mulher

Eu não gosto do Dia da Mulher. Não gosto mesmo.

 

 

 

Não gosto porque seria bem melhor se não precisássemos de um dia para lembrar que ainda há machismo, sexismo, preconceito, feminicídio, ódio gratuito, violência, estupros, mutilação sexual de mulheres, maridos matando esposas, namorados matando namoradas, por ciúmes, homens matando mulheres simplesmente por sentimento de posse.

Eu não gosto da Delegacia da Mulher, nem mesmo do carro do metrô exclusivo para mulheres.

Não gosto porque seria melhor não precisar deste tipo de artifício para proteger as mulheres. Proteger de homens que matam, estupram, praticam atos obscenos, jogam seu sêmen na mulher no meio do transporte público, como se elas fossem depósito do lixo deles, ou uma espécie de vaso sanitário particular.

Eu não gosto de (precisar) ser feminista. 

Não gosto, mas preciso muito ser. Desculpa. Sou chata. Daquele tipo que nos grupos de whatsapp reclama das piadas machistas. Que não ri quando contam uma dessas na roda de bar. Que até chama a atenção de quem contou. Sou dessas. Não acho engraçado, nem mesmo quando vem de outras mulheres (aliás, principalmente quando vem de outras mulheres). Não acho engraçado nem mesmo sacanear com o Dia da Mulher porque “o homem tem todos os outros dias do ano” (eca! Isso não é engraçado e é tãoooo brega, vamos combinar?).  Sou chata. Reconheço.

Eu gosto de flores, de carinho, de gentileza.

Mas não apenas porque sou mulher, e sim porque eu também dou carinho para as pessoas que eu amo. Para o meu marido, minhas filhas, minhas amigas, minhas irmãs, minha família. E gosto de receber. Não precisa me dar rosas no Dia da Mulher. Nem mesmo me dar parabéns. Não me importo. Já disse que nem gosto desse dia. Mas pode me dar rosas em aniversário de namoro, de casamento, no meu aniversário ou só porque lembrou de mim. Eu gosto de carinho. Pode me dar bombom também, ou pode me dar um presente. Aliás, eu adoro ganhar qualquer coisa que seja dada com carinho, com amor, com amizade. E também amo dar presentes, rosas, fazer pequenas gentilezas. E faço, sempre que posso, ou que quero.

Eu gosto de pensar que o mundo ainda pode ser melhor para as mulheres. Mesmo que seja apenas para minhas bisnetas, ou tataranetas. Também gosto de pensar que isso será possível se as mulheres tiverem mais consciência do seu papel na luta por um mundo melhor. Se educarem melhor os meninos. Se forem mais unidas, se estiverem juntas e não contribuindo para colocar rótulos umas nas outras.  E, juro, posso até ser rotulada de chata, mas estou tentando fazer meu papel para que um dia a mudança aconteça. 

 

Um pacto para 2018

Tenho refletido muito nos últimos dias sobre este novo ano que começa exatamente hoje.

Tive um 2017 morno e cheguei ao fim dele reclamando – da crise, da falta de oportunidades, de não ter realizado muita coisa. Foi quando me propus realmente a refletir – o que exatamente EU NÃO FIZ-  ou ainda – o que EU FIZ em 2017 para que não fosse um ano bom?

Mas… O que podemos esperar de 2018? Um ano de economia fraca, ainda respirando por aparelho. Um ano de eleição – uma eleição difícil, em um País que ainda não entendeu muito bem a sua história e nem mesmo consegue entender com clareza o que ocorre neste momento na política. Um ano que promete protestos e polarização. Ai, que preguiça da polarização que vem por aí… Nós versus eles… E lá vem intolerância, preconceito, xingamentos…  Quem é melhor, quem tem razão, quem tem conhecimento histórico… Afff… Queria muito pular esta parte, mas teremos que viver tudo isso de novo, sentir na carne, vai doer outra vez e, de novo, precisamos tentar aprender com isso, se possível.

Mas a verdade é: o que eu posso esperar de mim em 2018? Tenho certeza que preciso tirar da minha vida: as incertezas, a procrastinação, as dúvidas sobre a minha capacidade de realização, a desordem, a preguiça emocional. Preciso ser uma pessoa mais determinada, mais proativa. Preciso esperar menos dos outros e contar mais comigo. Preciso acreditar que posso realizar, que vou chegar onde quero. Preciso determinar onde quero chegar e em quanto tempo. Preciso planejar como vou chegar lá. Preciso seguir este planejamento. Preciso lembrar que sempre é tempo. Independente do que a gente já viveu, ou de quanto tempo já viveu. Se tenho saúde e disposição, tenho tudo que preciso para começar, recomeçar, errar, aprender e tentar de novo.

Meu pacto pessoal para 2018 é ser melhor. Em todas as áreas da minha vida.

Não será um ano fácil. E é por isso que resolvi propor este tal “pacto coletivo” para o ano que começa. Vamos aproveitar que todo mundo está compartilhando palavras bonitas, generosas e carregadas de boas energias e fazer um grande pacto de tolerância e respeito, que tal?

Um pacto de construir – efetivamente – um ano melhor, e quem sabe, até um Brasil melhor (será utópico demais? 🤔). As eleições estão batendo à nossa porta. A Lava Jato ainda tem muito a mostrar. Vamos viver tantas coisas este ano! Muita coisa boa e muita coisa ruim também, como sempre.

Proponho que tenhamos discussões (necessárias) e não brigas ou desentendimentos. Proponho que tenhamos respeito pela opinião alheia e não uma tentativa simples de desqualificar pessoas ou pontos de vista. Proponho que continuemos amigos, ainda que com pensamentos diferentes. Proponho que façamos a nossa parte na política – e isso significa não só ler e interpretar mais (sob diferentes ângulos), mas também – e principalmente – pensar mais na coletividade, agir com pensamento no próximo e não apenas no próprio umbigo, praticar mais a simpatia, a delicadeza, a empatia.
Mas praticar mesmo. Não só compartilhando posts bonitos, mas vivendo isso todo dia. Quando estivermos no trânsito, no trabalho, em casa, na escola, na faculdade, na rua… Com nossos familiares, com nossos subordinados, com nossos amigos, nossos companheiros, nossos colegas de trabalho, nossos parceiros, com as pessoas que esbarramos todo dia. Até com as pessoas “invisíveis” – é, sabe aquelas que você finge não ver, mas que estão ali todo dia? Com estas também!

Se conseguirmos fazer pelo menos um pouquinho disso, já estamos fazendo nossa parte para transformar a realidade e fazer um 2018 melhor – com dias de aprendizado e de crescimento. De minha parte, estou disposta a tentar ser melhor. Conto com vocês para crescermos juntos. E, quem sabe, virão dias melhores para todos nós!

😘

2012 já está aqui!!!!

2012 está aqui!!!

Então… Mais um ano começou e eu nem passei por aqui para contar, escrever, desabafar! Hoje bateu a vontade… Pensamentos no chuveiro me trouxeram de volta ao blog! Engraçado que esta é a hora que me dá mais inspiração e ela (a inspiração) vai acabando à medida que vou me enxugando, me vestindo… Será que é a água que inspira?!… rs Sou capaz de escrever (mentalmente) um livro durante uma boa chuveirada!
Promessa de ano novo: fazer regime (claro), cuidar mais de mim (claro), ser mais organizada e disciplinada (preciso!), ganhar mais dinheiro (necessidade), trabalhar muito sim, mas com menos estresse (necessidade número 1) e agora… Voltar a escrever! Adoro tanto escrever e tenho tido tão poucas oportunidades para me dedicar a isso. Deveria ser meu hobby. Pronto. Escolhido um hobby para 2012. Ah! Tem outro hobby ao qual gostaria muitíssimo de dedicar mais tempo: pedalar! Que delícia! Mais uma promessa de novo ano. Anotado.

Hoje foi um dia gostoso, talvez por isso a inspiração. Muito trabalho realizado ao fim do dia, muitas promessas de coisas boas e novas para a empresa, filhota que passou no vestibular tão idealizado (e em terceiro lugar, diga-se de passagem – e para Medicina, diga-se de passagem e na faculdade que ela queria e Pública! Uhuuu), vida que vai engrenando, com um tempinho até para a academia, viagem à vista com direito a descanso – tudo é muito bom!

Engraçado que também foi um dia de lembranças. Gostosas, por sinal. Músicas de dois CDs que ganhei de uma irmã me fizeram voltar à infância – com 9, 10 anos, dormia ouvindo Nara Leão, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Quarteto em Si, MPB4 e B.J. Thomas! Alguém conhece B.J.Thomas? Descobri (no CD que ganhei) que ele cantava “Raindrops keep falling on my head”! Descobri mais sobre ele no Google (claro!): “Personagem importante no meio artístico, tanto se destaca na música como nos cinemas, pelo motivo de suas canções serem incluídas em trilhas sonoras. Billy Joe Thomas, mais conhecido por seu nome artístico B. J. Thomas, é um grande cantor americano famoso por seus hits nos anos 1960 e 1970”. Pois é, denuncia a idade este tal de B.J.Thomas! Mas eu só ouvia porque minha irmã bemmmm mais velha (rsrs) colocava pra gente dormir! Noites gostosas, embaladas pelas músicas e pela naturalidade da infância.

Aí, hoje eu entrei na farmácia e uma garotinha fofa, com 5, 6 aninhos pedia pra mãe comprar mel (aqueles com cara de infância mesmo, que vem em uma cartela, lembra?) com aquele jeitinho que só as menininhas têm: “Mas mãe, é meu preferido”!… Lembrei das minhas duas coisinhas pequenas que uma vez, em plena padaria, se ajoelharam no chão imundo e ficaram me pedindo “peloamordedeus” pra comprar uma bala, um chiclete, sei lá eu! Claro que a padaria toda ficou rindo e pedindo pra eu comprar… Que fofas!!!

Mas o tempo passa, o tempo voa… Hoje uma faz Administração na UnB e a outra, acaba de passar (de novo!) pra Medicina, mas desta vez na Escola Superior de Ciências da Saúde – quarta colocada no País, segundo exame do MEC! Uhuuuu!!!

Tão bom poder lembrar momentos e sentir uma sensação de realização, de dever cumprido, de ter vivido todos os momentos intensamente na vida… Feliz!

Tanta coisa ainda pra escrever… Ah!!! Nos meus momentos de inspiração no chuveiro, pensei em abrir uma aba (é assim que fala?) no blog pra falar das dificuldades de fazer regime. Acabo de ler uma matéria na Época falando em como a Internet ajuda, como dividir com as pessoas facilita a vida de quem quer perder peso. Mas também não sou uma obesa ou algo do gênero… Queria perder alguns quilos, sim! Na verdade, descobri recentemente que sempre me preocupei com o peso – à toa!!!! Coisas de quem tem uma família com tendência a engordar. Porque engordar mesmooooo só fui engordar há 7 ou 8 anos, quando comecei a me aproximar dos 40! Denunciada a idade de novo! Pois é… Mas sempre tive um “quê” de neurótica com isso. Vivia preocupada quando pesava 58 quilos. Vejo as fotos hoje e me acho tão magrinha… Tá, não era magrinha, mas estava em um peso ótimo!!! Hoje, são mais de 10 quilos acima disso (ops! Nunca revelei meu peso em público. Aliás, nunca revelei nem em ambiente privado). E como perder? Nem quero perder 10, porque o “peso da idade” agora já conta… Mas uns 5 ou 6 cairiam muitooooo bem e seriam suficientes pra voltar a vestir 40 ou tamanho M. Ah vá, diz que não é gostoso vestir 40 e TAM. M???? Acho que 38 eu só vesti quando tinha 20 anos… rs

Então, quem sabe escrever sobre isso vai me ajudar a emagrecer… Vou tentar. Só escrever já vai me ajudar em muita coisa. Inclusive a perder estes incômodos quilinhos. Vou começar tentando baixar uns aplicativos no Iphone e fazendo alguns testes. Depois conto como foi!!! Fica pra próxima, então! xoxo