Cartas para Elisa 8

Minha maravilinda Elisa,

Ontem, 27 de julho de 2025, foi Dia dos Avós. Só percebi à noite, quando o dia já tinha passado— e que dia maravilhoso, Elisa! Você dormiu aqui, ficou “grudada, grudadinha” o tempo todo… E foi tão lindo! Vovô precisou sair no fim da manhã e tivemos um dia todinho só pra nós duas!!! E, aqui sozinhas (com os cachorros, claro), eu tive a oportunidade de refletir (e agradecer, muito!) sobre a maravilha de te ver crescer.

Puxando você no balanço (— mais alto, vovó! — mais alto!), pensei em como você já está crescida. Às vezes, ainda me emociono ao lembrar da sua mãe grávida, ou de você tão pequenininha, e agora… quase três anos! Tanta coisa vivida, tanto aprendizado compartilhado. Sabe o que é mais bonito disso tudo? O amor que nos envolve—esse amor que você sente e devolve pra mim e pro vovô Magno (o “bonitão”), e que enche a nossa casa de alegria.

Tem horas que tenho vontade de “agarrar o tempo”, de congelar cada sorriso, o jeitinho, as palavras ainda atrapalhadas (tão lindas, será que pode continuar assim?) a gargalhada que ecoa pelos cantos. Depois penso – não! O melhor é saborear cada momento, deixar a vida acontecer bem devagarinho, aproveitando cada segundo ao seu lado.

Enquanto isso, lá estava você, balançando, brincando de pegar “nuvens de algodão doce”… E eu, feliz, sentindo o privilégio de viver isso. Você inventando músicas, rindo alto quando me manda “sumir” correndo – e eu sumia (e voltava correndo só pra te abraçar!). Nada se compara ao som da sua risada.

O nosso dia foi recheado de brincadeiras, corridas com os cachorros, pinturas, comidinhas (o bolo de banana não deu muito certo, mas valeu a tentativa!), musiquinhas e histórias de Os Saltimbancos (o teatro musical que você tanto ama!). Mil perguntas, mil descobertas… Só a gente mesmo para tanta conversa!

Hoje, domingo, a vovó acordou indisposta e não conseguiu cumprir a promessa da roda gigante. Mas o vovô Magno foi com você! Só vocês dois nesse passeio especial. Fiquei emocionada vendo as fotos e vídeo – como você está crescendo confiante, explorando o mundo com autonomia e brilho nos olhos.

A vida é tão rara, como diz a música… Que sorte a minha viver esses dias com você!

E sabe, Elisa? No fundo, Dia dos Avós é todo dia: sempre que a gente brinca, conversa, canta, se diverte. Te amo, minha menininha linda demais, perfeita, cheia de luz! Que venham muitos outros dias pra gente colecionar juntos!

Um beijo e um abraço apertado, da Vovó Regina

A experiência da vovó maluquinha: Cartas para Elisa 7

Ah, Lili… Acabamos de passar pelo segundo Dia dos Avós com você aqui com a gente! Tão louco isso!!! Até hoje às vezes me assusto de ser chamada de “vó”, apesar de entender o tanto de amor que tem nessa palavrinha…


Você já é uma menininha sapeca, de 1 ano e 8 meses. Tão pouco tempo e já faz a gente ser tão mais feliz… Você sorri, eu derreto… Você chora, aperta o meu peito…
Te amo um tantão enorme, não dá pra medir, sabe? Amor de vó!

O mais legal é todo dia a gente descobrir alguma coisa nova: um novo passinho de dança, uma nova palavrinha, uma música mais legal que a outra, uma brincadeira que te faz rir até cair… Nossa, quanta coisa…

Você já demonstra ser uma super companheira! Topa as nossas saídas (inclusive noturnas), senta à mesa dos restaurantes e come tudo que passar por ali, vai ao Capital Moto Week (encontro de motos que seu avô adora e que eu aprendi a gostar), topa passear só comigo ou só com sua “dindin” Gabi sem dar o mínimo trabalho…

Eu estava relendo as cartas que escrevi antes pra você e como é engraçado… estamos fazendo tudo que eu tinha planejado e ainda muito mais!!! É lindo isso e me enche de uma felicidade incrível e de amor de vó!

É lindo saber que você pede pra sua mãe ligar pra gente, uma delícia conversar com você por vídeo e ficar rindo porque vc quer ver todos os cachorrinhos da casa e conhece cada um pelo nome… Tem o “Jógi”, o “Aquiiiiiiiless”, o “Tór”, o “Tatá”… Vc chama cada um e quer ver todos eles pelo celular… Você é maravilhosa com os cachorrinhos!

De vez em quando, você dorme aqui comigo. As noites ainda não são inteiras, mas é tão gostoso ficar admirando você dormir… É uma paz que sai ali de você, que enche o meu coração, que me faz pensar que os problemas são pequenos… Que coisa boa, meu amor!

Aqui na nossa família, seguem me chamando de “vovó maluquinha”, porque a gente corre pra cima e pra baixo, dança, canta, faz bagunça e ri muito. Se isso é ser uma vovó maluquinha, quero ser assim pra sempre. Não me deixa esquecer que isso é que é ser feliz, tá?

Daqui a pouquinho você fará dois anos! Dois anos!!! Lá vem o tempo passando e nos empurrando pra frente… às vezes nos fazendo rodopiar no meio do caminho, buscar uma nova rota, mas ele não para nunca… E lá vamos nós…

Obrigada por existir, minha Lili maravilhosa, bebelezinha pra sempre e Elisa, a corajosa!

Te amo cada dia mais e quero te encher de “amor de vó”!

Um beijo enorme da vovó maluquinha pra você!

Obs.: a foto já tem um tempinho, foi tirada há pouco mais de dois meses, mas ela diz tanta coisa pra mim… Não pude resistir.

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Cartas para Elisa 6 (e também para a Regina de amanhã)

Oi, Bebelezinha da vovó! Sento-me para escrever essa carta na véspera do meu aniversário de 58 anos. Pois é, hoje é o dia que você completa 1 ano e 1 mês – 25/12/2023. Amanhã, 26/12, faço 58. Escrevo pra você e escrevo pra mim também. Colocar as palavras pra fora da cabeça (rs) me ajuda a organizar as ideias, a desabafar, a pensar melhor…

Amanhã é meu aniversário e eu posso dizer que me orgulho de tudo que vivi até aqui. Não que a vida esteja sendo fácil. Muito pelo contrário, ela anda complicada, confusa, com muitos desafios, muitos recomeços, muitos percalços. Muitos dias em que preciso dizer a mim mesma para não desistir. Porém, muitas coisas para agradecer neste caminho. Muito mais para agradecer, eu diria.

Na véspera desses 58 anos, estou com saúde. Eu e seu avô. Os dois com saúde, energia e disposição. Nem tanta energia todo dia, nem toda a disposição do mundo, você sabe, né?… Tem dias que a gente cansa. Mas tem saúde por aqui! Muita! E tem muito amor. Como sempre digo, também temos sempre “amor pra recomeçar”… Então, vamos nessa…

Estamos caminhando em direção à nossa velhice, não dá pra negar. Caminhando? Sim, porque não me sinto nadica velha hoje. Não fosse esse tal calendário, essa forma de “contar a vida”, onde os dias, meses e anos vão se sobrepondo e as pessoas vão dizendo que somos crianças, jovens, adultos, idosos, onde nos colocam rótulos e coisas assim, eu diria que ainda tenho quase tudo que tinha da Regina de 20 ou de 30 anos atrás. Um pouco menos de brilho nos olhos? Um pouco mais de rugas e dúvidas? Um tantão mais de saudade no peito? É lógico que sim!

Tem, obviamente, as mudanças físicas, que são difíceis e até esquisitas… Tem dias que eu penso que estou jovem, que tenho “todo o tempo do mundo”. Tem dias que me olho no espelho e vejo uma senhora exausta, com muitas marcas do tempo… Tem dias que me sinto corajosa, tem dias que sou covarde… Tem dias que dá aquela vontade de bater no peito e lembrar de uma trajetória linda até aqui. Mas tem dias, nossa, tem dias que dá vontade de ficar quietinha, como se não houvesse problemas para serem resolvidos, como se não houvesse tanta coisa a fazer…

Hoje, aqui nesse finzinho de dia silencioso, ouvindo as cigarras cantando lá fora no quintal, ouvindo o ressonar do Aquiles aqui do meu lado, “ouvindo” as lembranças da nossa festa de Natal ontem mesmo nesta casa, as risadas e musiquinhas de hoje com você brincando, me sinto pronta para os 58, 59, 70, 75, 80, 85… E para todos os anos que eu puder viver com saúde.

Hoje, abri a janela da sala, olhei o céu azul de Brasília e pensei no privilégio da vida. Principalmente da minha vida, da nossa vida. Temos tanto amor, se temos um lugar quentinho pra morar, uma comida gostosa na mesa e um monte de gente pra amar.

Você e seus pais, Elisa, estavam dormindo aqui em casa. Assim como sua madrinha Gabi e seu tio Caio. Claro que seu avô também estava aqui. Agradeci a Deus, como faço sempre e pensei em como tem sido lindo chegar neste momento, em como a nossa casa tem sido um lugar de encontros felizes, de festas familiares, de como temos tanta gente para amar e curtir, ainda que tenhamos passado por perdas tão dolorosas.

Nem todos os dias são incríveis, nem todos os desafios são fáceis de vencer, nem toda hora a gente acha que “tá tudo bem”… Mas, entrando em um novo ciclo, preciso dizer que estou dando o meu melhor. Nem sempre dou conta de tudo. Estou fazendo o possível, ainda que erre para caramba no caminho e tente aprender com esses erros, mas às vezes, a gente erra de novo. E é assim…

Uma vida real, de erros, acertos, tropeços, conquistas, vitórias, fracassos… Uma vida em que a gente cai, mas “levanta pra cair de novo”, como diria sua bisavó Coeli. Uma vida de muitas, mas muitas mesmo, coisas boas. Uma vida pra agradecer.

E lá vamos nós para mais 365 dias de pura aventura! Que venham os 58!

Cartas para Elisa – 4 (atrasada)

(Descobri uma carta escrita e não postada – de dezembro de 2022)

Elisa, você nasceu!  E nasceu uma avó em mim.

Outro dia você estava no quentinho da barriga da sua mãe e nós ficávamos imaginando como você seria… Agora, está aqui, nos fazendo muito felizes e me ensinando a ser avó.

Você acredita que vi o parto da sua mãe? Eu e sua dinda Gabi, sabia? Foi tão lindo, mas tão lindo, que nem sei explicar. Uma honra, uma felicidade, um enorme orgulho. Que momento!!! Foi no dia 25 de novembro que você veio a esse mundo e tem sido tão intenso que ainda não tinha conseguido escrever pra você! Você já tem um mês de vida e te amo tanto, que nem sei dizer!!!

Te admiro a cada segundo… cada sorrisinho (que ainda é um reflexo, mas em breve você vai me reconhecer, eu sei), cada bocejo que acaba em choro, cada soluço quando você golfa ou tem frio, cada biquinho… Amo cada pedacinho seu. Tão perfeita, saudável, esperta.

Elisa, espero sempre ansiosamente pelo tempinho que teremos juntas todo dia, sabia? Te cheirar, te abraçar, te aninhar nos meus braços – este é sempre o melhor momento do dia. Te amo e estou aqui. Sempre estarei. Por você e por toda a nossa família. Por todos os nossos cachorrinhos também…

Ao mesmo tempo que este amor transborda, vovó ainda nem entendeu completamente esta maravilha de função nova, que é ser vó. Essa delícia que é ter a filha da minha filha nos braços, cantar (ainda que desafinadamente) para você dormir, como eu fazia com sua mãe e com sua tia-dinda Gabi. Chorei esses dias te embalando ao som de uma música que é a cara de sua bisavó Coeli – chama Acalanto, do Dorival Caymmi. Lembro dela cantando… Não sei se para eu dormir, ou se para os netos mais velhos, mas eu amava ouvir… era uma sensação de paz, de amor, de carinho e de acolhimento. Só espero que você sinta isso também.

Elisa, eu te olho e penso como é tudo lindo e como a gente pode ser mais leve, sabe? Você veio para tranquilizar nossos corações depois de um período difícil da família, com perdas doídas… Entendo que você nos mostra que a vida é feita de ciclos e que devemos apreciar cada instante… Estamos todos aqui encantados e quero muito que você saiba disso um dia.

Vem aí um novo tempo no Brasil e um dia você vai estudar nos livros de história que vivemos um período bem complicado e confuso. Espero que – até você conseguir estudar – alguém ainda consiga nos explicar toda a loucura que está acontecendo aqui, sabe? Que venham tempos melhores para todas as pessoas!

Estamos a poucos dias de começar um novo ano e eu mal posso esperar pelos próximos tempos ao seu lado. Mas até agora, vocês estão aqui em casa, no cantinho que preparamos para receber você, sua mãe, seu pai e o Luca. Vocês vão embora dentro de alguns dias… E eu já estou aqui fazendo planos de como vou poder te ver sempre que sentir saudade… E já sei que terei muita saudade.

Vamos nos falando, vovó vai continuar escrevendo para você. E um dia vamos ler juntas e ver muitas fotos, também. Já disse que te amo?

Beijo bem, bem grande pra você!

Vovó Tuca, Regina, Rê, Vóvis…

28 de dezembro de 2022

OsSETE no nosso primeiro Natal

Cartas para Elisa – número 5

Oi, “Bebelezinha da vovó”!

Já faz um tempinho (o tempo tá passando muito rápido, nossa!) que eu não escrevo pra você, mas é que a vida este ano foi complexa e desafiadora. E você foi um bálsamo diário, sabia? Te encontrar foi e é motivo para muitas explosões de amor, de riso, de fofurices sem fim.

Como eu já sabia, o amor por você só cresce, junto com a vontade de estar cada dia mais pertinho, acompanhando cada passo, cada palavra nova, cada descoberta sua.

Eu preciso te contar que, no fundo, eu tinha medo de ser avó. Tinha medo de virar uma velhinha sentada na cadeira de balanço costurando para netinhos e netinhas. E, sabe o que é mais incrível? Eu descobri que isso é um estereótipo horrível, carregado de um monte de preconceito. Eu sou avó com muito orgulho e com muito amor. Eu sou vovó e sou uma pessoa melhor!

Nos últimos meses, nós nos descobrimos. Eu descobri um amor que nem conhecia e você também me descobriu, eu sei. O seu sorriso quando eu chego, quando eu canto, quando me aproximo, me deixa tão cheia de amor e felicidade, que parece que vai sair faísca do meu peito… Eu e seu avô estamos nos renovando, sabe? Ele te olha com todo o derretimento que um vovô pode olhar pra sua netinha… E ele tem ciúmes quando eu pego você primeiro… E você, claro, retribui jogando os bracinhos pra ele e fazendo caretinhas fofas!!! É lindo demais de ver!

Você é uma pessoinha de 11 meses totalmente encantadora! É uma danadinha, que adora uma bagunça (e já descobriu que eu adoro também), que adora andar descalça, solta, dando seus gritinhos enquanto corre de mão dada comigo ou com sua mãe pela casa, ou quando agarra o Thor, nosso cachorrinho mais fofinho e carinhoso…

Você exala felicidade e amor! Você é uma companheirinha, é simpática (de longe, rs) e muito inteligente!

Ah!!! Preciso contar que ver você comendo é uma atração à parte. Sua mãe e seu pai decidiram fazer com você uma introdução alimentar chamada BLW, ou Baby-Led Weaning, que significa “desmame guiado pelo bebê”, em tradução livre. Te confesso que fiquei bem incomodada no início. Achava uma bagunça sem tamanho e me preocupava porque acreditava que você ingeria só alguns poucos pedacinhos de alimento… Agora, confesso que virou uma diversão ver você se alimentar. Você gosta de tudo, se diverte comendo e é uma delícia!!! Você nem imagina a quantidade de fotos e vídeos que fazemos na hora da refeição. Aliás, você nem imagina a quantidade de fotos e vídeos que fazemos com você e de você, rs.

Você já está bem espertinha e quer caminhar pela casa toda (claro que ainda precisa de uma mãozinha pra isso, o que significa que eu e seu avô precisamos estar com a atividade física em dia, pra não ter dor nas costas, no quadril, na perna…). Se diverte com os cachorros e tem paixão pela “Alexa”. Sim, você adora saber que a gente pode mandar naquela moça dentro da caixinha e que ela nos obedece. Você nem fala ainda, mas já manda (do seu jeito) a Alexa fazer coisas.

Sabe que outro dia fomos à praia com você? Era sua primeira experiência e não podíamos perder. Foi um grupo enorme, Elisa. Todo mundo doido pra te ver pisando na areia e experimentando a água salgada. Que farra fizemos!!! E que farra você fez também! Éramos 14 pessoas e foi uma viagem de cinco ou seis dias, mas que vai ficar na nossa história pra sempre. Foi uma delícia acompanhar você naqueles momentos. E já estamos pensando em novas viagens para o ano que vem! Mal posso esperar. Tomara que sigamos fazendo mil viagens incríveis pela vida!

Elisa, seu primeiro aninho está chegando e a gente sabe que vem aí uma nova etapa, com ainda mais descobertas, especialmente porque agora estão chegando as palavras, depois as frases, e em breve, as histórias e as conversas. Vovó tá doida pra ouvir suas histórias e contar algumas também, claro…

Hoje, revirando coisas antigas, achei histórias engraçadas da sua mãe e da sua dinda, que escrevi em pedaços de papel e guardei. Agora, vou colocar todas essas histórias aqui também, porque quero que, um dia, você possa ler tudo isso. E, quem sabe, vai se divertir também.

Obrigada por me permitir te amar tanto. Preciso agradecer todos os dias ao seu pai e sua mãe por também nos permitirem estar sempre pertinho de você e acompanhar essa sua caminhada linda. Conte com a vovó maluquinha para estar sempre ao seu lado, like a bridge over troubled water.

Te amo! Cada dia mais!!!

Beijos da vovó.

Cartas para Elisa- número 3

 (e para Maria Coeli)

Elisa, em poucos dias, você vai fazer três meses!!! Nem acredito que já está crescidinha!

O tempo é engraçado… Ontem, fez um ano que você se foi, mãe. Os 12 meses sem você foram longos e estranhos. Enquanto isso, os últimos três meses com a Elisa aqui do nosso ladinho passaram muito rápido e foram incrivelmente transformadores!

Mãe, preciso te contar que já consigo ver as mudanças que aconteceram nos últimos três meses em mim, no Magno, na Lu, na Gabi… E, claro, no Leandro e no Caio. Queria te contar que a Elisa é uma sapequinha sorridente. Uma bebê calma e cheia de vida. Meu amor por ela é tão incrível, que nem sei explicar! Ela dorme nos meus braços e eu só tenho vontade de ficar ali apreciando aquela gostosura, sentindo esse amor circulando em cada pedacinho do meu corpo e chorando de emoção. “Magnô” conversa com ela e ela sorri. Ele fica babando, você ia mexer com ele se visse o jeito de “avô bobo” que ele fica, tenho certeza disso… E ia ficar orgulhosa também, de ver o tanto de amor que transborda do olhar desse vovô babão…

Elisa, eu queria te dizer que faço coisas que sua bisavó fazia com os netos, sabe? Ela e seu bisavô… Aquele cheirinho “no cangote” como eles diriam, aquela musiquinha pra dormir, o ÔÔÔ, AAAA no ritmo que ajuda a embalar o seu soninho… Queria tanto poder te apresentar à sua bisavó Coeli. Sei que ela amaria cada pedacinho seu. Posso vê-la me pedindo para contar como foi assistir o parto da sua mãe (um momento que ainda nem consegui “realizar” completamente até hoje). Ela ia querer saber cada pedacinho dessa história, tenho certeza. Eu já te contei sobre isso? Nossa, Elisa, foi um momento tão incrível!!! Eu, ali, vendo você vir pra este mundo, testemunhando aquele pequeno milagre junto com sua Dinda Gabi. Nós três, eu, sua mãe e sua madrinha unidas por uma emoção sem tamanho… Nunca pensei no poder e na energia desse momento…

Mãe, o nascimento da Elisa foi uma renovação, sabe? Foi a certeza do “amor pra recomeçar”, o anúncio da gravidez foi uma luz em um momento de profunda tristeza. Era o nosso primeiro Dia das Mães sem você quando a Lu anunciou pra família que estava grávida. Consegue imaginar a emoção disso? Vc tinha partido há pouco mais de três meses…  Sei que você gostaria de saber disso, porque também sei que não quer ver a gente sofrendo. Tenho certeza que nos diria para seguir em frente, que nos diria para sermos felizes.

Mas, sabe, a saudade permanece aqui, todos os dias… No começo, eu acordava e achava que ia almoçar na sua casa, que ia te visitar naquele dia. Eram alguns segundos até a realidade me trazer de volta a este mundo físico em que você não está mais. Queria sonhar mais com você e com o papai. Seria como receber a visita de vocês. Queria te convidar pra entrar na minha casa e te apresentar à sua décima nona bisnetinha…

Elisa, bebelezinha da vovó, meu amor, pra você, eu só quero contar (todos os dias) que sou a vó mais babona deste mundo e espero merecer o seu amor.

Tem umas coisas e uns sentimentos que a gente não sabe bem de onde surgem ou para que surgem. Me lembro bem de quando minhas filhas nasceram, porque com elas, nasceu em mim um incrível medo de morrer. Eu já tinha superado isso, mas o seu nascimento, Elisa, me reacendeu este medo. Sei que tenho muitos anos pela frente, pelo menos, procuro me cuidar pra isso, mas o simples pensamento de que posso não viver tanto assim me aperta o peito… Quero estar aqui, ao seu lado, compartilhando o amor, vivenciando cada minutinho dessa nova experiência que a vida está me proporcionando que é ser avó. Quem sabe ainda virão muitos netinhos e netinhas pela frente, né? Estou pronta pra viver essa aventura!!!

Mãe, me conforta saber que você viveu tão bem e tão intensamente estes momentos de ser avó e bisavó. Você foi uma privilegiada por ter convivido com tantos e tantas netas/netos e bisnetos/bisnetas. Só o que peço a Deus é me conceder este privilégio também, com saúde e força!

Acho que agora tenho que deixar um pouquinho para escrever de uma próxima vez. Ainda quero contar como a sua partida, mãe e, ao mesmo tempo, o nascimento da Elisa me fizeram enxergar tantas coisas nas relações, especialmente nas minhas relações com as minhas irmãs e com as minhas filhas – no poder destas relações, na força que temos juntas.

É isso, mas fica para uma próxima vez.

Com muito amor,

Regina