Completo 59 anos e começo minha jornada rumo aos 60…

Mais um ano e serei oficialmente idosa! Serei agora então uma “pré-idosa”?

Falar isso em voz alta é complicado, né? Uma mulher com quase 60 anos no Brasil anunciar em alto e bom som a própria idade soa quase como “confessar um pecado”. O etarismo ecoa por todos os cantos, e seguimos enfrentando inúmeros preconceitos contra as mulheres: a menopausa, o envelhecimento, o corpo — se está acima do peso, se está abaixo, se tem muitas rugas, se tem marcas, se tem barriga, se precisa de botox ou de procedimentos estéticos. Pintar o cabelo ou assumir os grisalhos? São tantos pré-conceitos para tratar do envelhecimento feminino…

Aqui dentro, procuro me lembrar todos os dias: envelhecer é um privilégio. Mas dizer que é fácil e/ou glamuroso? Não, não é. É quase corajoso anunciar a idade. Uma incoerência em pleno 2024, quando os estudos apontam para um crescimento no número de pessoas idosas e uma redução da natalidade em praticamente todo o mundo.

E não é só enfrentar o preconceito, é também enfrentar alguns desafios, sim! Se eu, que reconheço os privilégios que tenho, enfrento alguns perrengues por conta do envelhecimento (sim, a menopausa traz muitos incômodos físicos e emocionais que ninguém te conta direito), me pego imaginando as mulheres que não têm acesso à saúde, medicamentos ou procedimentos. A menopausa não é “mimimi”; é difícil de encarar. No Brasil, então…

Por conta disso, sempre achamos normal a mulher (sempre a mulher) “mentir” a idade. Quantas de nós assume – de verdade – a idade que tem? Tive uma professora diferente: minha mãe fazia questão de comemorar “com pompa e circunstância” cada década: 60, 70, 80, 90… Queria ter chegado aos 100, mas nos deixou aos 94. Ainda assim, que privilégio ser de uma família de mulheres longevas! Tanto do lado da minha mãe quanto do meu pai, as mulheres ultrapassam com facilidade os 80 e 90 anos — algumas chegam muito próximas dos 100.

Enquanto isso, a vida até os 59 passa em um piscar de olhos. Clichê? Claro que sim! Mas é verdade: um dia, você tem 40 e acha que já está ficando “velha”. No outro, está prestes a fazer 59, depois 60, e percebe que é só uma “jovem amadurecida”. Claro que você precisa encarar aquela senhora no espelho — como escrevi neste blog há alguns anos.

Definitivamente, não tenho o direito de reclamar da jornada até aqui. Houve percalços, desafios, momentos de tristeza e de perdas, mas não é disso que a vida é feita?

Construí uma carreira, trabalhei em lugares incríveis, casei-me com o meu melhor amigo — e seguimos mantendo o amor e a amizade até hoje. Tive duas filhas maravilhosas, uma neta linda e genros que adoro.

Não é sobre ter uma vida perfeita, como aquele comercial de margarina. Essa existe só nas redes sociais, não tenham dúvidas. É sobre entender que vamos lidando com as pedras no caminho e construindo novos rumos, mesmo quando precisamos fazer viradas bruscas ou escolhas difíceis.

Gratidão é outro clichê? Pois, sinceramente, agradeço por tudo que aprendi até agora e espero continuar aprendendo pelos próximos 40 anos. Sim, acredito que são mais 40 anos pela frente! É o mínimo que posso esperar, considerando a longevidade da família. Sou otimista e acredito que posso chegar lá como algumas dessas mulheres do Instagram — lúcida, independente e com vida ativa aos 80 e 90. Me refiro a alguns ícones, como Fernanda Montenegro, Jane Fonda, Nathalia Timberg, sabe? Claro que elas enfrentam perrengues também, mas seguem dignas e inspiradoras, altivas e lúcidas. É o que almejo.

Enquanto isso, sigo tentando fazer minha parte: atividade física (adoro e faço o possível para manter a regularidade, mas sei que há espaço para melhorar em 2025 – minha personal sabe disso!), uma alimentação “quase” balanceada (Não comentem com a nutri, mas amo comer!), cuidando com muito amor das minhas relações pessoais, buscando aprendizados diários, tomando meu vinho (com parcimônia – quase sempre – e muita felicidade – sempre!), e, claro, fazendo terapia, como todo mundo (quase) normal…

Além disso, tenho como meta manter acesa “a chama do amor que nos anima” — como meu pai nos ensinou — tanto no casamento com Magno como na relação com minhas filhas, genros e minha netinha linda. Tomara que dê certo daqui pra frente como tem dado até agora.

Então, vamos a ele: a mais um ano, mais desafios, aprendizagens, reflexões, encontros e desencontros, momentos felizes e outros nem tanto. A roda da vida continua a girar e, ao fim e ao cabo, é o que importa.

Olá, 59, estou de braços abertos para te receber!!!

Vumbora seguir na busca de viver melhor? Afinal, a vida tem que valer!