Cartas para Elisa- número 3

 (e para Maria Coeli)

Elisa, em poucos dias, você vai fazer três meses!!! Nem acredito que já está crescidinha!

O tempo é engraçado… Ontem, fez um ano que você se foi, mãe. Os 12 meses sem você foram longos e estranhos. Enquanto isso, os últimos três meses com a Elisa aqui do nosso ladinho passaram muito rápido e foram incrivelmente transformadores!

Mãe, preciso te contar que já consigo ver as mudanças que aconteceram nos últimos três meses em mim, no Magno, na Lu, na Gabi… E, claro, no Leandro e no Caio. Queria te contar que a Elisa é uma sapequinha sorridente. Uma bebê calma e cheia de vida. Meu amor por ela é tão incrível, que nem sei explicar! Ela dorme nos meus braços e eu só tenho vontade de ficar ali apreciando aquela gostosura, sentindo esse amor circulando em cada pedacinho do meu corpo e chorando de emoção. “Magnô” conversa com ela e ela sorri. Ele fica babando, você ia mexer com ele se visse o jeito de “avô bobo” que ele fica, tenho certeza disso… E ia ficar orgulhosa também, de ver o tanto de amor que transborda do olhar desse vovô babão…

Elisa, eu queria te dizer que faço coisas que sua bisavó fazia com os netos, sabe? Ela e seu bisavô… Aquele cheirinho “no cangote” como eles diriam, aquela musiquinha pra dormir, o ÔÔÔ, AAAA no ritmo que ajuda a embalar o seu soninho… Queria tanto poder te apresentar à sua bisavó Coeli. Sei que ela amaria cada pedacinho seu. Posso vê-la me pedindo para contar como foi assistir o parto da sua mãe (um momento que ainda nem consegui “realizar” completamente até hoje). Ela ia querer saber cada pedacinho dessa história, tenho certeza. Eu já te contei sobre isso? Nossa, Elisa, foi um momento tão incrível!!! Eu, ali, vendo você vir pra este mundo, testemunhando aquele pequeno milagre junto com sua Dinda Gabi. Nós três, eu, sua mãe e sua madrinha unidas por uma emoção sem tamanho… Nunca pensei no poder e na energia desse momento…

Mãe, o nascimento da Elisa foi uma renovação, sabe? Foi a certeza do “amor pra recomeçar”, o anúncio da gravidez foi uma luz em um momento de profunda tristeza. Era o nosso primeiro Dia das Mães sem você quando a Lu anunciou pra família que estava grávida. Consegue imaginar a emoção disso? Vc tinha partido há pouco mais de três meses…  Sei que você gostaria de saber disso, porque também sei que não quer ver a gente sofrendo. Tenho certeza que nos diria para seguir em frente, que nos diria para sermos felizes.

Mas, sabe, a saudade permanece aqui, todos os dias… No começo, eu acordava e achava que ia almoçar na sua casa, que ia te visitar naquele dia. Eram alguns segundos até a realidade me trazer de volta a este mundo físico em que você não está mais. Queria sonhar mais com você e com o papai. Seria como receber a visita de vocês. Queria te convidar pra entrar na minha casa e te apresentar à sua décima nona bisnetinha…

Elisa, bebelezinha da vovó, meu amor, pra você, eu só quero contar (todos os dias) que sou a vó mais babona deste mundo e espero merecer o seu amor.

Tem umas coisas e uns sentimentos que a gente não sabe bem de onde surgem ou para que surgem. Me lembro bem de quando minhas filhas nasceram, porque com elas, nasceu em mim um incrível medo de morrer. Eu já tinha superado isso, mas o seu nascimento, Elisa, me reacendeu este medo. Sei que tenho muitos anos pela frente, pelo menos, procuro me cuidar pra isso, mas o simples pensamento de que posso não viver tanto assim me aperta o peito… Quero estar aqui, ao seu lado, compartilhando o amor, vivenciando cada minutinho dessa nova experiência que a vida está me proporcionando que é ser avó. Quem sabe ainda virão muitos netinhos e netinhas pela frente, né? Estou pronta pra viver essa aventura!!!

Mãe, me conforta saber que você viveu tão bem e tão intensamente estes momentos de ser avó e bisavó. Você foi uma privilegiada por ter convivido com tantos e tantas netas/netos e bisnetos/bisnetas. Só o que peço a Deus é me conceder este privilégio também, com saúde e força!

Acho que agora tenho que deixar um pouquinho para escrever de uma próxima vez. Ainda quero contar como a sua partida, mãe e, ao mesmo tempo, o nascimento da Elisa me fizeram enxergar tantas coisas nas relações, especialmente nas minhas relações com as minhas irmãs e com as minhas filhas – no poder destas relações, na força que temos juntas.

É isso, mas fica para uma próxima vez.

Com muito amor,

Regina