Eu não gosto do Dia da Mulher

Eu não gosto do Dia da Mulher. Não gosto mesmo.

 

 

 

Não gosto porque seria bem melhor se não precisássemos de um dia para lembrar que ainda há machismo, sexismo, preconceito, feminicídio, ódio gratuito, violência, estupros, mutilação sexual de mulheres, maridos matando esposas, namorados matando namoradas, por ciúmes, homens matando mulheres simplesmente por sentimento de posse.

Eu não gosto da Delegacia da Mulher, nem mesmo do carro do metrô exclusivo para mulheres.

Não gosto porque seria melhor não precisar deste tipo de artifício para proteger as mulheres. Proteger de homens que matam, estupram, praticam atos obscenos, jogam seu sêmen na mulher no meio do transporte público, como se elas fossem depósito do lixo deles, ou uma espécie de vaso sanitário particular.

Eu não gosto de (precisar) ser feminista. 

Não gosto, mas preciso muito ser. Desculpa. Sou chata. Daquele tipo que nos grupos de whatsapp reclama das piadas machistas. Que não ri quando contam uma dessas na roda de bar. Que até chama a atenção de quem contou. Sou dessas. Não acho engraçado, nem mesmo quando vem de outras mulheres (aliás, principalmente quando vem de outras mulheres). Não acho engraçado nem mesmo sacanear com o Dia da Mulher porque “o homem tem todos os outros dias do ano” (eca! Isso não é engraçado e é tãoooo brega, vamos combinar?).  Sou chata. Reconheço.

Eu gosto de flores, de carinho, de gentileza.

Mas não apenas porque sou mulher, e sim porque eu também dou carinho para as pessoas que eu amo. Para o meu marido, minhas filhas, minhas amigas, minhas irmãs, minha família. E gosto de receber. Não precisa me dar rosas no Dia da Mulher. Nem mesmo me dar parabéns. Não me importo. Já disse que nem gosto desse dia. Mas pode me dar rosas em aniversário de namoro, de casamento, no meu aniversário ou só porque lembrou de mim. Eu gosto de carinho. Pode me dar bombom também, ou pode me dar um presente. Aliás, eu adoro ganhar qualquer coisa que seja dada com carinho, com amor, com amizade. E também amo dar presentes, rosas, fazer pequenas gentilezas. E faço, sempre que posso, ou que quero.

Eu gosto de pensar que o mundo ainda pode ser melhor para as mulheres. Mesmo que seja apenas para minhas bisnetas, ou tataranetas. Também gosto de pensar que isso será possível se as mulheres tiverem mais consciência do seu papel na luta por um mundo melhor. Se educarem melhor os meninos. Se forem mais unidas, se estiverem juntas e não contribuindo para colocar rótulos umas nas outras.  E, juro, posso até ser rotulada de chata, mas estou tentando fazer meu papel para que um dia a mudança aconteça.