“I am the master of my fate. I am the captain of my heart”.

Diz o poema Invictus (conhecido por ser a inspiração de Nelson Mandela na prisão): “Eu sou o senhor do meu destino. Eu sou capitão da minha alma”. Será mesmo? Na verdade eu penso que, como diz a música: “tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu, o tempo estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu? (..) E eis que chega a Roda-Viva e carrega o destino pra lá”…

Não, de verdade não penso sempre assim… Mas por algum motivo que não consigo entender ou decifrar, é assim que tenho me sentido há alguns dias… Como se não me encaixasse nos lugares… Sem muita vontade de nada… Não sou assim. Definitivamente esta não sou eu. Mas, do “alto dos meus 45 anos”, tenho vivido angústias quase adolescentes… Será que estou conseguindo estragar tudo na minha vida? Por que não consigo lidar com meus erros? Por que tenho me achado a última (e pior) pessoa do mundo?

Cansaço? É bem provável! Estou realmente cansada de “correr atrás”. Na verdade, estou cansada de correr, correr… “Ter que” é uma expressão que estou odiando! Tantas coisas eu “tenho que” e tão poucas eu apenas “quero”. Estou sendo egoísta ou exagerada? Pode ser… Mas é a minha única explicação para o meu cansaço, que é, sem dúvida, muito mais emocional do que físico. Tenho sentido tristeza, uma coisa que pouco conheço, a não ser realmente em momentos de perda (como a morte do meu pai, ou do meu sogro). Uma tristeza que bate lá no fundo, se instala, como se a casa fosse dela. Não é. Definitivamente não. Xô, tristeza! O que você está fazendo num coraçāo que não lhe pertence?

Explicaçōes? Hormônios? Idade (ah… nāo aguento mais esta história de que “nessa idade” isso ou aquilo)? Exaustão? Estresse? Baixa auto-estima (no meio deste turbilhão até esta danadinha veio me perturbar com uma auto-crítica exagerada)? Necessidade de ficar um pouco sozinha? Dificuldade de ficar um pouco sozinha?… Tudo isso “junto e misturado”, talvez…

Outro dia, um daqueles “testes” de televisão: você tem depressão? Uma pesquisa descobriu que não sei quantos milhões de brasileiros sofrem de depressão. Pronto! Lá vem as perguntas… E se vc respondeu “sim” a pelo menos cinco perguntas, então você tem depressão! E lá se vai mais uma brasileira a engrossar a lista… Credo!!! Xô, depressão! Não quero você na minha vida!!!!

“I am the master of my fate. I am the captain of my heart”.

Tomar a decisão de acordar amanhã sem gripe, sem dor no corpo (física? será mesmo? Ou é apenas a somatização da falta de respostas?), sem tristeza, sem arrependimento, sem cobranças inúteis que não levam a lugar nenhum. Acordar amanhã com a certeza de que é um novo dia – pra recomeçar, colocar a vida e a cabeça em ordem. “Eu sou a senhora do meu destino. Eu sou a capitã da minha alma”. Vamos, alma, destino, todo mundo colaborando com isso!

Que bom que sempre é possível recomeçar. Que bom que vida vem em ciclos, que a gente pode se reinventar, por que não?! Que bom que estou aqui, que tenho saúde, que tenho filhas maravilhosas, que tenho um marido que me ama, que tenho uma empresa que toco com muito amor, que moro em um lugar lindo, que amo demais. Que tenho minha mãe viva e saudável, minhas irmãs, meus irmãos, sobrinhos e sobrinhas, sobrinhos-netos (pois é, não dá pra negar a idade quando se tem “sobrinhos-netos”). Que bom que tenho amigas e amigos em vários lugares do Brasil. Que bom que quero aprender todos os dias. Que bom que posso ensinar um pouco do que sei todos os dias. Que bom!

Tão bom quando a gente pode escrever… E desabafar… E melhorar. E que venha a segunda-feira. De novo.

“I am the master of my fate. I am the captain of my heart”.